Para Haddad, Prefeitura quebrou sigilo de paciente para beneficiar Serra

Prontuário médico de caminhoneiro que aparece em propaganda eleitoral do PT foi divulgado na segunda, 27

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2012 | 17h36

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 28, que o vazamento, pela gestão Gilberto Kassab (PSD), de informações do prontuário médico do caminhoneiro José Machado teve a intenção de favorecer a candidatura do tucano José Serra. O petista cobrou do Ministério Público a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pela suposta quebra do sigilo médico.

"Acho muito sério quebrar sigilo de paciente. Foi um erro grave que a Prefeitura cometeu para favorecer a sua candidatura (de José Serra)", afirmou Haddad, após caminhada pela região da Ponte Rasa, na zona leste da capital.

Questionada pelo 'Estado' na segunda-feira, 27, a respeito da participação de Machado no programa eleitoral de Haddad, no qual o caminhoneiro disse estar há dois anos na fila para fazer uma cirurgia de catarata, a Secretaria Municipal de Saúde informou que consultara os dados do paciente e que a "hipótese de diagnóstico" não era catarata, mas pterígio - crescimento do tecido sobre a córnea.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, é proibido que o médico, sem consentimento do paciente, revele o conteúdo de um prontuário ou de uma ficha médica.

O petista se esquivou ao ser questionado se Machado teria catarata, como alega seu programa eleitoral, ou pterígio, como afirma a Secretaria Municipal de Saúde. "Para qualquer uma das versões (catarata ou pterígio), a solução do problema é muito simples e não foi resolvido. Não é porque a pessoa é humilde que ela tenha que receber tratamento diferente", disse.

Para Haddad, a suposta quebra do sigilo médico "é o caso mais grave que aconteceu nessa campanha até o presente momento". Ele afirma que o caminhoneiro está sendo duplamente penalizado em função da falta de atendimento e da exposição de seu prontuário. "Se nossa privacidade passar a ser invadida em função da disputa política, realmente a cidadania vai ficar muito comprometida", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.