Para Greenhalgh, divulgação de ligações fere seu ''sigilo profissional e pessoal''

O advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh acusou ontem a Polícia Federal de usar conversas de seu dia-a-dia para "suportar teses infundadas" a seu respeito. O petista está revoltado com as conclusões a que a PF chegou por meio da análise de suas conversas telefônicas. Greenhalgh é acusado de fazer tráfico de influência em favor da suposta quadrilha do banqueiro Daniel Dantas no Palácio do Planalto e em tribunais superiores. "Como já disse, fui contratado por Daniel Dantas para prestar serviços como advogado, profissão que exerço há mais de 30 anos", afirmou em nota. "Minha atuação, no caso, portanto, é a de advogado." Ele segue afirmando que a divulgação das conversas telefônicas fere seu "sigilo profissional e pessoal, além da quebra do sigilo do inquérito policial".Greenhalgh conclui que "o mais grave, no entanto, é que telefonemas corriqueiros e encontros que não têm nenhuma ligação com o caso passam a ser divulgados como se fossem relacionados a ele". O ex-deputado conta que, de fato, esteve com o ex-ministro José Dirceu no hangar das TAM, em Brasília, no dia 9 de maio. "Nunca tratamos sobre Dantas, nem nesse encontro, nem em outros."O encontro entre Dirceu e Greenhalgh foi marcado com a ajuda de Evanise Maria da Costa Santos, namorada de Dirceu e coordenadora de Relações Públicas da Secretaria da Administração da Presidência.Greenhalgh insurgiu-se contra análise da PF de que haveria indícios de que R$ 650 mil recebidos por ele em abril "sejam, na verdade, proventos de crime". "Outra ilação absurda é feita com base em uma conversa sobre honorários advocatícios provenientes de diversos clientes. Tudo registrado na contabilidade de meu escritório de advocacia, aplicado dentro do País, de forma legal e com o recolhimento de todos os tributos devidos. Isso não pode ser tido como suspeito de produto de crime."Por fim, disse que não "é possível classificar como ato ilícito o fato de um advogado transitar nos tribunais inferiores ou superiores".

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