Para governo, crise no BC foi esvaziada

A oposição ameaça continuar com as denúncias de sonegação fiscal envolvendo o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, mas o governo acredita que o assunto vai esfriar, com a demissão do diretor de Política Monetária, Luiz Augusto de Oliveira Candiota. Segundo fontes do Ministério da Fazenda, a intenção do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) de cobrar explicações de Meirelles não deverá ir adiante. "Meirelles tem anteparo político", resumiu a fonte.Ele lembrou que, por um lado, o presidente do BC foi eleito deputado por Goiás pelo PSDB e, por isso, não é de interesse dos tucanos fritá-lo. Do outro, o maior avalista da indicação dele foi o senador petista Aloizio Mercadante (SP). "O assunto está encerrado", completa. Para os avalistas, porém, "o governo apagou o incêndio mas deixou uma brasa acesa", afirmam, referindo-se ao fato de que Meirelles foi mantido no cargo e, com isso, torna-se o alvo preferido em momentos de especulação. "Se ocorrer, não será a primeira vez. Nos últimos meses, boatos de demissão de Meirelles serviram muito mais para especuladores", lembra um ex-diretor do BC. O economista Roberto Padovani, da consultoria Tendências, diz que essa visão predomina no mercado, mas não tem se refletido no preço dos ativos. Ontem, dólar e risco País fecharam em queda. "O governo não deverá dar muito espaço para o assunto se estender", assegura. Para o ex-diretor de Política Econômica do BC Sérgio Werlang, a estratégia do governo para contornar a crise foi bem sucedida e o BC deverá sair do centro da crise. Sem dificuldadesSenadores da oposição afirmaram ontem que não pretendem dificultar a aprovação do nome do economista Rodrigo Azevedo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário , desde que ele não seja alvo de denúncias por sonegação de imposto, omissão fiscal e evasão de divisas, como ocorreu com Luiz Augusto Candiota. "Os ocupantes do BC têm de ser como a mulher de César. Têm de ser honestos e não apenas ter a aparência de integridade", comparou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). A expectativa do presidente da CAE, Ramez Tebet (PMDB-MS), é a de dar prioridade à sabatina de Azevedo, na retomada dos trabalhos do Senado, no próximo dia 10. "Acredito que podemos marcar a sessão para o dia 11 ou 12", disse, lembrando que a data certa depende da chegada à Casa da mensagem indicando o economista ao cargo. Apesar da boa vontade, Arthur Virgílio reiterou ontem que pedirá na tribuna "explicações convincentes" ao presidente do BC, Henrique Meirelles, sobre a denúncia de que teria corrigido a declaração de renda após ter vazado informações sobre irregularidades no preenchimento do documento. Segundo o líder, Meirelles ainda não deu uma resposta de forma devida. Ele acha que cabe agora à Justiça, e não ao Senado, se pronunciar sobre as denúncias existentes contra Candiota.

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