Para governo, briga pela Câmara não geraria grandes riscos

A disputa acirrada entre os dois candidatos da base aliada à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), não está causando preocupações ao governo do presidente reeleito pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com parlamentares governistas e da oposição, ouvidos no final da tarde desta quinta-feira pela Agência Estado, até este ponto qualquer cenário é positivo para o governo, com exceção de uma candidatura peemedebista, que parece distante de se concretizar. Essa pode ser,inclusive, a razão do pouco engajamento do Planalto no sentido de solucionar a disputa entre Aldo e Chinaglia, avaliam esses parlamentares."O fato é que, para o governo, a situação não é desconfortável. Das hipóteses apresentadas até agora, nenhuma causaria impedimentos no trânsito do governo dentro do Congresso", resume um parlamentar petista, com acesso ao Palácio do Planalto.Para o deputado, mesmo uma candidatura do baixo clero seria interessante para o governo, conforme ficou demonstrado no caso da eleição do ex-deputado Severino Cavalcanti. "A verdade é que aquele episódio foi muito ruim para a Câmara, mas para o governo o Severino era ótimo. O problema é que o escândalo (da suposta extorsão praticada por Severino) ocorreu num momento em que o governo estava sendo muito atacado e isso acabou respingando na imagem dele também", diz o petista.Uma outra liderança da oposição concorda com a análise e descarta a articulação para uma terceira via oposicionista. "Não há espaço para um candidato do PFL ou do PSDB. A verdade é que perdemos a eleição e não conseguiríamos eleger um bom quadro da oposição", diz.Por isso mesmo, a oposição deve concentrar fogo na candidatura do deputado Aldo Rebelo, que já partiu para a briga com o apoio fechado do PFL. "Nosso projeto político é ganhar do PT em 2010, não a Câmara. Por isso o Aldo é a melhor solução, já que não atrapalha a oposição e mantêm o PT fora da presidência", diz um pefelista, que crê na adesão em bloco do PSDB à candidatura do atual presidente da Câmara. "As declarações do Jutahy e do FHC em favor do Aldo deram o sinal de que os tucanos devem ir pelo mesmo motivo que o nosso", destacou.Para o governo, apenas o PMDB representaria uma pedra no sapato, mas nenhum dos parlamentares ouvidos crê que o partido tenha condições - depois de ter aberto mão da presidência em favor do PT - de indicar um novo candidato. "Certamente o PMDB pensa nisso, mas é difícil que depois de tudo que já aconteceu e, no meio da negociação ministerial, eles apresentem um candidato", diz um oposicionista. "Se o PMDB assumir a Câmara, significa ter um presidente com uma espada pendendo sobre a cabeça do governo 24 horas por dia", diz um aliado.

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