Para governo, vice quis se cacifar e dar sinal ao mercado

Embora ministros do PT não tenham gostado, Levy ligou para Temer e elogiou plataforma econômica do PMDB

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 07h33

Brasília - O governo avalia que o congresso do PMDB teve o objetivo de dar um sinal para o mercado de que o partido está preparado para assumir o poder, caso haja o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação de ministros do PT, o encontro foi mais um ingrediente para entornar o caldo da relação entre Dilma e o vice Michel Temer.

Apesar do discurso para consumo externo de que tudo já era esperado, a presidente não gostou das críticas ao governo no momento em que as ameaças referentes a seu afastamento vêm refluindo. Mesmo assim, ela não conversou com Temer depois do congresso do PMDB.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi o único que telefonou para Temer após o encontro do partido. Levy elogiou o programa do PMDB, intitulado “Uma Ponte para o Futuro”, embora a plataforma contenha duras críticas à política econômica.

Para o comandante da economia, mesmo as propostas mais polêmicas do PMDB, como a de reforma da Previdência Social – com idade mínima de 65 ou até 67 anos para mulheres e homens terem direito ao benefício – são “importantes” para a fase do pós-ajuste fiscal. Levy também gostou da ideia de permitir que as convenções coletivas de trabalho prevaleçam sobre as normas legais.

Temer e Levy têm conversado muito e feito dobradinhas no governo. Agora, o vice admite até aceitar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), desde que por um período transitório. Temer sempre foi contra a CPMF.

A plataforma do PMDB ainda passará pelo crivo das seções do partido nos Estados e será votada na convenção nacional da sigla, em março de 2016. Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), o documento – escrito pelo ex-ministro da Fazenda Delfim Netto e pelo ex-secretário de Política Econômica Marcos Lisboa – enfrenta muitas resistências porque não reflete o pensamento da legenda.

“O PMDB não pode ser só o partido da governabilidade. Tem de ser o partido da transformação do País”, afirmou o senador Romero Jucá (RR), relator das propostas.

Logo na introdução, o programa observa que “o Brasil encontra-se em uma situação de grave risco” e faz um diagnóstico sombrio. “Dadas as condições em que estamos vivendo, tudo parece se encaminhar para um longo período de estagnação”, diz um dos trechos.

Em jantar na casa da senadora Marta Suplicy (SP), anteontem, Temer minimizou o mal-estar no Planalto com o lançamento do programa, alegando ter apresentado as propostas para Dilma antes da divulgação. “Se o governo quiser adotar as ideias do PMDB, ótimo, vamos aplaudir”, disse ele. / V.R. e I.P.

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