Para governistas, parecer é ‘só uma etapa do processo’

Parlamentares indicaram que manifestação do PGR não significa um atestado de culpa

Eduardo Bresciani e Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Parlamentares da base governista minimizaram o efeito da manifestação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de 36 pessoas no processo do mensalão. Na interpretação desses congressistas, a manifestação de Gurgel é apenas mais um passo no processo judicial e não significa um atestado de culpa dos denunciados.

 

O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), procurou destacar que o fato não pode ser visto como atual. "Não há novidade. Essa denuncia já foi feita tempos atrás. Era um fato que o PT evidenciou em 2005. Não há fato novo. Os acusados poderão ainda se defender na Justiça. É um fato antigo", argumentou o líder.

 

Rigor demais. O senador Humberto Costa (PE), que lidera a bancada petista na Casa, destacou a exclusão do ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência Luiz Gushiken do rol de denunciados no escândalo do mensalão. Costa afirmou que há muito rigor na análise do Ministério Público sobre o caso e disse acreditar que o Supremo não vai acatar todas as acusações.

 

"A única surpresa foi a retirada do nome do Gushiken, mas ainda acho que o procurador foi muito rigoroso nesse processo. Nós entendemos que muitas dessas denúncias são sem fundamentação", afirmou o senador pernambucano. "A última palavra é do Supremo e acredito que o Supremo deverá levar em consideração vários fatores e fará justiça."

 

O líder petista no Senado reconheceu que, apesar de o caso remontar a 2005, a volta do tema ao noticiário é ruim para a imagem do partido. "Embora seja um assunto sobre o qual a sociedade já se posicionou, já fez um julgamento do PT, isso sempre produz algum tipo de incômodo."

 

Sarney. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), destacou que os denunciados no processo ainda têm possibilidade de apresentar suas posições perante ao Supremo. Ele observou, porém, que a manifestação do procurador-geral da República mostra que o processo não foi abandonado pelo Poder Judiciário. "A imagem é que o processo está caminhando, que não está parado", disse.

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