Para governador do Sergipe, reformas aumentarão desigualdades

O governador de Sergipe, João Alves (PFL), disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá cumprir sua promessa de extirpar a miséria do País, aprovando a proposta de reforma tributária que está em tramitação no Congresso. "A reforma, como está, vai ampliar a desigualdade regional em vez de corrigi-la", disse, em reunião com a bancada de deputados federais do Nordeste. Há cerca de 15 dias, em visita de Lula a Sergipe, houve uma indisposição entre João Alves e o presiedente a respeito da reforma tributária. "Eu disse isso ao presidente Lula, mas ele não gostou e respondeu de forma dura, dizendo que eu defendia privilégios", afirmou Alves. "Ele não aceitou a idéia, mas é verdade: vamos acentuar as desigualdades". O governador defendeu junto à bancada nordestina "o confronto democrático" para mudar a proposta do governo. "Se nós nos unirmos, vamos ganhar no voto", disse. João Alves lembrou que, historicamente, a política dos governos foi direcionada para concentração de recursos no Sudeste e que é necessário fazer uma reforma que combata essa distorção. Ele argumenta que a unificação das alíquotas do ICMS vai retirar o único incentivo que os Estados podem dar para atrair investimentos. "Acabar com a guerra fiscal é correto. Só que esta é a única coisa que restou aos Estados pobres", afirmou, referindo-se à possibilidade de conceder isenções de ICMS, que será extinta com a reforma. Segundo Alves, com o fim dessa possibilidade, os empresários não irão para o Nordeste, preferindo ficar nos Estados mais desenvolvidos, que têm melhor infra-estrutura e maior mercado. "O Nordeste vai ficar mais pobre. O fosso que nos separa das regiões mais ricas vai aumentar", sustentou. Alves terá um encontro com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

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