Para governador do Pará, PF pode cometer "grave injustiça"

O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), defendeu hoje que as apurações das irregularidades levantadas durante a Operação Pororoca, da Polícia Federal, devem ser levadas até o fim e que eventuais culpados sejam punidos. Mas disse que o trabalho dos agentes também corre o risco de "cometer graves injustiças ao longo do processo de investigação". Jatene se refere à prisão do empresário e tesoureiro de sua campanha para o governo em 2002, Fernando Flexa Ribeiro, suplente do senador Duciomar Costa (PTB), que foi eleito prefeito de Belém. Flexa Ribeiro assume o mandato no próximo dia 1º de janeiro.Segundo a PF, Flexa, que é dono da Engeplan e diretor da CNI, e Eduardo Peres Boullosa Júnior, teriam participado em fraude de licitação para o Porto de Santana, para favorecer a Queiroz Galvão, que venceu a licitação para obras de revitalização do porto. No último dia 8, Flexa foi solto pela PF, junto com outras 20 pessoas presas durante a operação. "Não conheço nada na história do empresário Flexa Ribeiro que leve a conclusão de que ele é um bandido e que, como tal, deva ser tratado", enfatizou o governador tucano. Para ele, sua expectativa é a de que tudo "não passe de um grande mal entendido". A lisura da administração pública, segundo ele, deve ser defendida sob qualquer circunstância. As operações que vem sendo realizadas no País pela PF, resumiu Jatene, devem ser festejadas, mas é preciso também assegurar amplo, geral e absoluto direito de defesa aos envolvidos. "Minha expectativa é que o suplente do senador tenha condição de chegar ao Senado para defender os interesses do Pará". Flexa Ribeiro também foi incisivo, afirmando que "nada vai me impedir de assumir o mandato".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.