Suamy Beydoun|Futura Press
Suamy Beydoun|Futura Press

Para Gilmar Mendes, Bolsa Família é 'compra de voto institucionalizada'

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo critica programa social como forma de 'eternizar' um governo no poder, durante evento em São Paulo

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 11h20

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, criticou na manhã desta sexta-feira, 21, o programa Bolsa Família como forma de comprar votos e "eternizar" um governo no poder.

"Com o Bolsa Família,  generalizado, querem um modelo de fidelização que pode levar à eternização no poder. A compra de voto agora é institucionalizada (com o programa)", comentou o ministro. Ele fez um discurso durante o seminário Soluções para Expansão da Infraestrutura no Brasil, promovido pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Acmham) e pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo.

Ele apontou que a Justiça Eleitoral não se preparou para esse tipo de situação, como quando apontou o arquivamento da ação que pedia investigação das contas de Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014, denúncia que mais tarde foi aceita e investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar dessas "mazelas", como classificou, o ministro apontou que as crises no Brasil foram tratadas dentro do marco institucional.

Reforma eleitoral. Gilmar defendeu a realização de uma reforma político-eleitoral. "Estamos vivendo no âmbito político-eleitoral uma realidade de caos, verdadeiro caos. Nós temos que fazer uma reforma político-eleitoral", destacou.

Ele citou a existência de 35 partidos políticos, 28 no Congresso, e que muitos deles são criados para arrecadar recursos do Fundo Partidário e negociar tempo de propaganda eleitoral. "Isso nos leva a um artificialismo", afirmou. Para ele, o quadro precisa ser revisto.

Gilmar voltou a afirmar que a revelação de caixa 2 na campanha de Dilma em 2014 mostrou que era um "ledo engano" afirmar que esse tipo de prática havia sido extinto no País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.