Para Genoino, manifesto de deputados é "marcação de posição"

O presidente do PT, José Genoino, classificou como "marcação de posição" o manifesto divulgado ontem por 30 dos 92 deputados federais do partido, que defendem uma mudança na condução da economia. "É um direito da minoria manifestar uma angústia natural", comentou. "Mas a maioria da bancada e a maioria do partido apóia o governo, apóia e compreende a importância das reformas." Genoino não concordou com o conteúdo do manifesto. ?Até porque está parecido com o que a Fiesp falou", disse, referindo-se aos comentários do presidente da entidade, Horácio Lafer Piva, criticando a proposta de reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso Nacional. Para o presidente do PT, o manifesto dos deputados reflete o caráter democrático do partido. Genoino disse preferir a resolução tomada pelo diretório nacional do partido em março e citou: "O Brasil que queremos é economicamente forte, priorizando a produção, geração e distribuição de rendas; um país socialmente justo, que integre as políticas sociais com constituição da cidadania; um país soberano na disputa de seus interesses no mercado internacional; um país democrático."Ele destacou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva está criando as condições para resolver os graves problemas, segundo ele, herdados do governo anterior. Entre as medidas, citou o controle da inflação, diminuição da vulnerabilidade em relação ao capital especulativo e a preparação para discutir a participação na Alca e na OMC. "O trabalho tem como objetivo o crescimento econômico e a geração de empregos", disse.O presidente do PT considerou natural as vaias de servidores públicos contra o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ontem, na Assembléia Legislativa de São Paulo. "Não tem covardes no Governo Lula, nós temos muita vontade política e coragem", reagiu. "Nem o PT nem o governo Lula vão ficar reféns de meia dúzia de funcionários públicos que não querem mudar nada." Segundo ele, quem está contra as reformas previdenciária e tributária são conservadores e não radicais. "Radical é quem quer mudar na raiz dos problemas", definiu.Genoino disse que as discussões, inclusive sobre a contribuição de inativos, serão feitas na bancada e no partido. "Eu defendo que é justo que os altos salários dêem contribuição solidária", opinou. E disse que trabalhará para convencer outros companheiros sobre sua posição, que é a do governo Lula. "A minoria também marca posição, o que faz parte de um partido democrático e pluralista", disse. "Mas quando o partido e a bancada decidem, todos votarão com o partido."

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