Para Genoino, João Fontes ultrapassou todos os limites

O presidente do PT, José Genoino, classificou de "provocação de extrema gravidade" a atitude do deputado, João Fontes (PT-SE), que divulgou material sobre o discurso do presidente Luiz InácioLula da Silva, em 1987, com acusações contra seus atuais aliados, entre eles o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP). "Isso é inaceitável; nós não aceitamos isso e a bancada tem que avaliar a situação do deputado", disse. Genoino afirmou que nem o pior adversário de Lula, em suas campanhas eleitorais, adotou esse tipo de atitude.O deputado petista entregou ao jornal Folha de S.Paulo um vídeo e um CD, nos quais Lula, no dia 6 de setembro de 1987, fez um discurso em Aracaju defendendo as propostas do PT para a reforma da Constituição. Na gravação, Lula afirma que a TV Globo ?não faz outra coisa senão mentir? e que o então presidente da República, José Sarney, era o ?grande ladrão? do País. João Fontes está sob ameaça de ser retirado da Comissão de Constituição e Justiça por ser contrário à taxação dos servidores inativos, como prevê a proposta de reforma da Previdência do governo encaminhada ao Congresso. Segundo Genoino, o PT repele esse tipo de ataque e que João Fontes ultrapassou todos os limites. O que mais incomodou a cúpula do PT e parlamentares da ala governista, que se reuniram ontem à noite até a madrugada de hoje, com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi que pela primeira vez um parlamentar da ala radical atingiu diretamente o presidente da República. "Isso rompe qualquer contrato ético de convivência", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que participou do encontro. Segundo ele, isso demonstra que João Fontes e Luciana Genro já têm decisão política de sair do PT e por isso Pimenta vai defender agora, em reunião dos coordenadores de bancada, ocorrerá na tarde desta quarta-feira, o afastamento do deputado da bancada. Genoino, por sua vez, lembrou que antes de filiar-se ao PT, João Fontes era diretor da Companhia Energética de Sergipe, durante o governo do PFL, e depois foi presidente do PL.

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