Para Garotinho, não há possibilidade de PMDB integrar chapa de Lula

Seguindo o discurso dos partidários da candidatura própria do PMDB, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, declarou que não há possibilidade de o partido integrar uma chapa encabeçada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.Segundo Garotinho, que é pré-candidato da legenda ao cargo, a vontade da maioria indica que a sigla terá seu próprio concorrente no pleito de 2006. "Não creio que haja, hoje, o menor ambiente no PMDB para a indicação do vice de Lula. O PMDB no Brasil inteiro deseja ter candidato próprio", disse. Ele admitiu, entretanto, a pressão exercida pela ala governista para embarcar na candidatura do Planalto. "Pode ter uma ou outra liderança que tenha essa intenção, mas 95% dos peemedebistas desejam uma candidatura própria".De acordo com o pré-candidato, o poder da cúpula peemedebista é limitado, atingindo muito mais as esferas mais altas do partido e não a base que votará nas prévias. "Essa inferência da cúpula é diluída. Na verdade, quem tem o poder sobre esses votos são muito mais os prefeitos e vereadores do que a cúpula", disse. Garotinho também descartou o lançamento de uma candidatura própria pelos governistas ou um apoio maciço à candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, para num segundo momento rifar o seu nome. "O governador Germano Rigotto é um homem sério e jamais se prestaria a fazer uma candidatura barriga de aluguel".O pré-candidato do PMDB não quis avaliar a briga interna do PSDB, porém afirmou que tanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quanto o prefeito da capital paulista, José Serra, terão que "responder pela política econômica de FHC". Para Garotinho, a escolha dos tucanos é indiferente. Perguntado sobre quem seria mais forte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o candidato tucano, Garotinho respondeu: "Eles são petecanos. São iguais."RiscosGarotinho esteve nesta quinta-feira na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), onde defendeu uma virada na política econômica federal com ênfase na redução de juros e queda da carga tributária. Segundo ele, apesar de não ser um risco para a estabilidade financeira do País, ele representa "um risco aos ganhos exorbitantes do mercado financeiro". "Acho que o mercado financeiro e as pessoas mais responsáveis já entenderam que não se pode matar a galinha dos ovos de ouro. Essas taxas de juros, com esses ganhos estratosféricos, eles próprios (o mercado) têm consciência de que isso não pode continuar. Então é melhor ganhar menos com segurança do que ganhar demais e, daqui a pouco, matar o paciente."De acordo com o pré-candidato do PMBD, o problema da carga tributária deriva primordialmente da taxa de juros: "A reforma tributária só vai acontecer com a redução dos juros porque a grande despesa do governo é com os juros. Então ele não pode cortar impostos porque tem que pagar os juros".

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