'Para ganhar é preciso ter Minas do lado', diz Serra

O candidato a presidente José Serra (PSDB) disse hoje, em Uberlândia (MG), que após encerrar as gravações do programa eleitoral gratuito de televisão, durante a madrugada, chegou a Minas Gerais para caminhar para a vitória na eleição de domingo. "Minas é um Estado que sintetiza o Brasil, é um eixo político e econômico. Para ganhar é preciso ter Minas do lado, para governar o Brasil tem que ter Minas do lado", disse ele, na presença do governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB) e dos senadores eleitos Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS).

BRÁS HENRIQUE, Agência Estado

28 de outubro de 2010 | 17h41

No rápido discurso para cerca de 2 mil pessoas no Uberlândia Clube, no centro da cidade, Serra aproveitou para alfinetar, sem citar qualquer nome, os adversários políticos, principalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se empenha diretamente na campanha da candidata Dilma Rousseff (PT).

Serra disse que em Minas Gerais ele tem "parceiros que valem ouro na política brasileira" e usou a presença do ex-presidente Itamar Franco, em especial, para cutucar Lula. "(Itamar) É um homem íntegro, que soube ser presidente da República, com decoro, com comportamento irretorquível, correto", afirmou o tucano, em entrevista coletiva, antes de seguir para Montes Claros (MG).

Para citar os elogios ao trio mineiro, Serra se lembrou de um trecho da Bíblia, sem saber exatamente em qual parte, na qual Deus vai a Salomão, em sonho, no dia em que este assume o seu reinado, e lhe oferece qualquer desejo. "Salomão só disse que queria sabedoria e conhecimento. Pois bem, venho a Minas recolher o conhecimento administrativo e a competência do Anastasia e a sabedoria enorme, inversamente proporcional à idade, do Aécio Neves", disse.

"E o decoro do presidente Itamar Franco, que deu ao Brasil uma lição de como se deve comportar um presidente, que precisa ser presidente não de um partido, não de um grupo, mas de todo o nosso País, de toda uma nação", afirmou. Serra ainda acrescentou que, caso seja eleito, terá outra postura. "Como presidente não vou tratar adversário como inimigo a ser destruído. Para mim adversário é um concorrente na democracia e será respeitado como tal e não perseguido."

Denúncias

Serra disse que irá "desprivatizar o Estado brasileiro", referindo-se às denúncias contra pessoas ligadas ao atual governo. "Vou fazer com que os órgãos governamentais sirvam ao nosso povo e não a grupos, a negociações, a interesses, como todos os dias a gente pode constatar, como a cada final de semana temos um rol de escândalos que significa usar o governo, os seus órgãos, as suas empresas, para finalidades privadas."

Como irá encerrar a campanha do segundo turno no sábado, em Belo Horizonte, Serra enfatizou que "essa eleição vai se decidir em Minas Gerais". Pediu, como de costume, a multiplicação de votos a cada pessoa presente em seu discurso e ouviu um coro de manifestantes: "45, eleito". E, antes de encerrar sua visita a Uberlândia, numa tradicional cafeteria do centro, disse: "Vamos substituir, no Brasil, o punho fechado da intolerância pelo abraço fraterno da solidariedade. Vamos nos dar os braços, de cabeça erguida, altiva, de coração leve."

Itamar Franco, indagado se o pleito de fato se decidiria em Minas, foi sucinto e rápido na resposta: "Minas tem que somar com os outros Estados." Anastasia preferiu usar um slogan em seu discurso. "O povo de Minas não erra, o presidente é José Serra."

Último debate

Sobre o último debate, da TV Globo, amanhã à noite, Serra disse que irá responder as perguntas sobre questões que interessam ao País. "Tenho muita vontade de falar sobre o Brasil, das coisas que pretendo fazer e como explorar as soluções dos problemas."

Indagado sobre os comentários de cientistas políticos, que citam a campanha eleitoral deste ano marcada por boatos e mentiras, ele concordou e acusou aliados da adversária Dilma - sem citá-la - pela situação. "Sem dúvida, tudo vindo do outro lado", disse. "Sou político ligado à verdade, o outro lado é um lado de profissionais da mentira, mentem o tempo inteiro."

O tucano citou que abriu concurso público para contratação de 110 mil funcionários, sendo que os adversários teriam alegado que ele era contra esse sistema. "Sou contra cabide de emprego, cargo de gente sem concurso para atender um amigo, um camarada, um companheiro, não para trabalhar", completou.

Papa

Serra ainda fez um rápido comentário sobre a atitude do papa Bento XVI, que hoje condenou o aborto e conclamou os bispos brasileiros a orientarem politicamente os fiéis católicos. O tucano alegou que não leu a declaração do Papa na íntegra, mas que conhecia o seu teor.

"O Papa é um líder espiritual mundial da Igreja Católica, ele tem o pleno direito de emitir as suas diretrizes e orientações para os católicos do mundo. Tem plena liberdade de fazê-lo, é um guia espiritual muito importante, e a defesa da vida é algo que merece fazer parte das palavras do papa, além do que é previsível, além do que é bom para o mundo ouvir isso: a defesa da vida", disse.

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