Para funcionária de Renan, ataque de ex-marido é para atingi-la

Bruno Lins denunciou que senador participava de suposto esquema de propina em ministérios do PMDB

CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

04 de setembro de 2007 | 13h17

A publicitária Flávia Garcia, ex-mulher de Bruno Lins, que denunciou um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado, Renan Calheiros, e ministérios comandados pelo PMDB, afirmou em entrevista que, na verdade, o "alvo" dos ataques do ex-marido é ela e não o senador. "O Bruno fez isso para me atingir. É oportunismo dele. Estamos em processo de separação litigiosa", disse Flávia, de 32 anos, que hoje é assessora do cerimonial da presidência do Senado e trabalha com Renan Calheiros há cinco anos. Veja também: PSOL quer incluir nova denúncia no caso Schincariol Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Cronologia do caso RenanEm semana decisiva, Renan pode enfrentar quarto processoNova denúncia: Renan tem de explicar propinas  Para ela, o que surpreendeu nas matérias publicadas nos jornais e revistas de fim de semana foi que seu pai, Luiz Carlos Garcia Coelho, é citado como lobista que ajudava a desviar recursos públicos que seriam divididos com o presidente do Senado. "Meu pai nunca foi lobista. Foi um industrial que trabalhou por 50 anos e hoje está fazendo um tratamento de saúde nos Estados Unidos por causa de um acidente de carro que sofreu ano passado". Em entrevista à revista Época, o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-marido da assessora parlamentar de Renan e afilhado de casamento do senador, disse que o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, operava um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado em ministérios chefiados pelo PMDB. e envolvou também outros dois peemedebistas na acusação: o senador Romero Jucá (RR), ex-ministro da Previdência, e o deputado Carlos Bezerra (MT).  Ainda de acordo com a Época, Lins prestou depoimento ao delegado da Polícia Civil do Distrito Federal João Kleiber Esper em setembro de 2006. Tuma diz esperar ter acesso nesta terça-feira ao depoimento. À polícia, Bruno teria dito que o INSS, órgão ligado ao Ministério da Previdência, teria atuado para beneficiar o BMG na concessão de crédito consignado. O advogado contou à revista que ele próprio buscou dinheiro de suposta propina por, pelo menos, seis vezes. Em uma delas, segundo declarou à revista, carregou em uma sacola R$ 3 milhões, que seria do BMG.Segundo ela, o ex-marido jamais pagou pensão para as duas filhas do casal e está sendo procurado por um oficial de justiça que não conseguiu citá-lo porque ele nunca é encontrado. Eles estão separados, segundo ela, desde março de 2006. Na ação de separação litigiosa, Bruno pede 20% do salário de Flávia e metade da casa em que ela mora. Ela sustenta que a casa foi um presente de seu pai. Bruno quer também o leilão dos móveis da casa para que o dinheiro arrecadado seja dividido entre os dois. "O que ele quer é criar problemas para o meu chefe para que eu seja demitida. Porque eu reconstruí minha vida e estou vivendo bem com outra pessoa", explicou. Ainda segundo ela, mesmo sendo morador do Lago Sul, Bruno fez sua denúncia em uma delegacia localizada a pelo menos dez quilômetros de distância, na cidade satélite de São Sebastião. Ela atribuiu tal atitude ao fato de o titular da delegacia, João Kleiber Ésper, ser amigo íntimo de mãe de Bruno, Paula Miranda. Renan já responde a três processos no Conselho de Ética. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma empreiteira, de usar laranjas na compra de rádios e jornais em Alagoas e de ter ajudado uma cervejaria, a Schincariol, a obter favores do governo. Nesta quarta-feira, será votado no órgão parecer que pede a cassação do senador por envolvimento na primeira denúncia.

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