Para Funasa, epidemia de dengue no Rio foi culpa do governo Garotinho

O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Mauro Ricardo Machado Costa, atribuiu a epidemia de dengue, que atingiu 250 mil pessoas nos seis primeiros meses deste ano no Rio, à desorganização do governo passado, do ex-governador Anthony Garotinho (PSB), hoje candidato à Presidência. "Tivemos uma grave epidemia no Rio de Janeiro por causa da falta de coordenação estadual. Em São Paulo, uma epidemia seria catastrófica, mas não ocorreu porque houve ação das secretarias municipal e estadual, como agora existe no Rio", afirmou Costa, durante o lançamento do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNDC), para o Sudeste. O plano inclui a liberação de R$ 318,4 milhões para o combate ao Aedes aegypti na região.Nos seis primeiros meses deste ano, 653.092 pessoas foram contaminas no Brasil. O Sudeste concentrou 350 mil casos. Desses, 250.228 foram registrados no Rio de Janeiro. A Funasa contabilizou ainda 2.073 casos da forma hemorrágica da doença no País, com 88 mortes. No Rio, 1.728 doentes desenvolveram a febre hemorrágica e 61 morreram. O ex-secretário de Saúde Gilson Cantarino foi procurado pela Agência Estado, mas não respondeu às ligações.A meta do PNDC é reduzir, até o fim do ano, a infestação do mosquito nas casas para 1% - a média nacional é de 5%, mas, segundo Costa, alguns bairros do Rio têm picos de até 20%. No Rio de Janeiro, 70% das larvas encontradas por agentes estavam em vasos de planta. Para o presidente da Funasa, se os agentes conseguirem reduzir a presença dos mosquitos nas casas, o risco de epidemia pelo tipo 3 da dengue cai em todo o País. "O problema é que a infestação é alta e a população não foi sensibilizada. Se a redução for alcançada, os casos de dengue ocorrerão, mas não haverá epidemia", acredita Costa.FavelasO secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Leôncio Feitosa, disse que foi iniciado o levantamento das casas para saber os municípios em que há maior incidência do mosquito. Segundo ele, a maior dificuldade é a entrada dos agentes de saúde nas favelas. O secretário defendeu que os municípios contratem e treinem guardas sanitários nas próprias comunidades. O Programa de Controle da Dengue prevê ainda a compra de 8 milhões de tampas e coberturas para caixa d?água pelo Ministério da Saúde. O material será distribuído para a população de baixa renda, de acordo com a solicitação dos municípios. O ministério também comprou trituradores de pneu. Segundo levantamento da Funasa, em 61 cidades as larvas armazenadas em pneus atingiam índices alarmantes. A idéia de Costa é que as prefeituras desenvolvam programas de reaproveitamento do pneu triturado, que pode ser usado como combustível na indústria, na fabricação de asfalto e como matéria-prima para placas pré-moldadas, utilizadas na construção civil.São PauloO secretário municipal de Saúde de São Paulo, Eduardo Jorge, disse que, apesar de a cidade ter registrado apenas 400 casos da dengue no primeiro semestre, a possibilidade de epidemia ainda preocupa. "Os moradores de São Paulo não foram imunizado para o novo tipo de dengue. Estamos como os índios com a chegada dos portugueses. Somos um bolsão de suscetíveis", afirmou. São Paulo receberá R$ 99 milhões para o combate à doença.

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