Para fugir da cassação, deputado Pedro Passos renuncia

Ele é acusado pela Operação Navalha de beneficiar empreiteira em licitações do governo do Distrito Federal

Agência Brasil

14 de agosto de 2007 | 19h56

O deputado distrital Pedro Passos (PMDB-DF) renunciou ao mandato para fugir do processo por quebra de decoro, que foi solicitado para investigar a participação do parlamentar nas denúncias de corrupção na Operação Navalha. A decisão de abrir mão do cargo foi tomada depois que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal cassou a liminar que suspendia o processo contra ele por quebra de decoro parlamentar.    Com a suspensão da liminar, Pedro Passos tinha até o final de sessão desta terça-feira para renunciar antes da abertura do processo. Isso porque nesta quarta-feira ele seria notificado pelo Conselho de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal e, após essa notificação, ele deveria enfrentar o processo até o fim, o que poderia resultado em sua cassação.    A renúncia é a forma de os parlamentares manterem os direitos políticos para concorrerem novamente nas próximas eleições. A carta de renúncia foi entregue por um dos filhos e foi lida em plenário pelo primeiro secretário da casa, deputado distrital Wilson Lima (PR).  Elo com Zuleido    Ao longo de quase dois anos de investigação, a Operação Navalha interceptou dezenas de conversas em que Passos apareceu tratando de negócios com Zuleido Veras e Fátima Palmeira, respectivamente dono e diretora-financeira da Construtora Gautama. A empreiteira baiana é apontada como a principal articuladora do esquema.    Passos teve uma trajetória alicerçada em escândalos e sobreviveu impune até o dia 17 de maio, quando a Operação Navalha bateu à porta da mansão do Lago Norte onde mora com a família, às 6 horas da manhã. Depois de ter a casa revirada, foi preso em flagrante e levado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, sob a acusação de formação de quadrilha.    Na Operação Navalha, ele é protagonista de um lance emblemático: o do secretário do Executivo que tira da gaveta uma obra da Construtora Gautama e, na volta ao Legislativo, faz uma emenda para a mesma  obra. Falante e pego nas escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal, Passos não se constrangeu. Como justificativa para as conversas altamente comprometedoras, ofereceu a versão de que tratava com a Gautama da venda de cavalos. Passos chegou a ser preso durante a operação, mas foi libertado e respondia o processo em liberade. A suplente do deputado é Eurides Brito (PMDB).  "Eu preciso conversar com você pessoalmente, para você tornar a me explicar direitinho até quanto dá. Como é que é? Porque tá lá o orçamento e tá autorizado para a gente fazer", diz o deputado, num dos diálogos com Fátima. Para a PF, as escutas indicam que Passos recebeu propina para facilitar a liberação de recursos para obras na bacia do Rio Preto. Passos argumentou, na época, que as conversas foram "pinçadas de forma maliciosa" e que se referiam a dívidas decorrentes da venda de cavalos.   Na carta, Pedro Passos fala que foi "pré-condenado" politicamente e que são "mentirosas" as acusações contra ele. Além disso, a carta cita orações católicas para pedir o "perdão" para aqueles que o teriam "pré-julgado". O deputado distrital era acusado pela Operação Navalha de beneficiar a empreiteira Gautama em licitações do governo do Distrito Federal para a construção da barragem Colônia Rural do Rio Preto.   (Com Christiane Samarco, do Estadão)  Texto atualizado às 22h34 

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