Para Força Sindical, liberação de verbas do governo é "coincidência"

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, garantiu hoje que a liberação para a central, nos últimos 20 dias, de R$ 785 mil do Orçamento da União não tem relação com a votação da alteração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vencida na terça-feira pelo governo. "Trata-se de uma coincidência. Se forem pegar um prazo de 60 dias, por exemplo, verão que tanto a Força quanto a CUT receberam verbas do Orçamento", disse.A vinculação entre o recebimento do dinheiro e a votação da mudança da CLT foi feita na edição de hoje do "Correio Braziliense". De acordo com o jornal, a Força Sindical, uma das principais aliadas do governo na votação da CLT, recebeu a última liberação, no valor de R$ 345 mil, na terça-feira da semana passada. A primeira liberação teria sido no dia 14 de novembro, quando R$ 440 mil saíram do caixa do Tesouro para o da central.As liberações de recursos para a Força nesse período foram descobertas, segundo o jornal, pela assessoria do deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF), que promete levar o caso ao Ministério Público. O jornal publicou ainda que ontem, enquanto a Câmara aprovava as mudanças da CLT, R$ 5,1 milhões foram para emendas de deputados. Paulinho disse que está levantando mais detalhes do caso. "Se for comprovado que o jornal fez essa acusação, irei processá-lo", afirmou. De acordo com o presidente da central, tanto a Força quanto a CUT têm um convênio com o governo que prevê a liberação de determinadas quantias a serem destinadas à qualificação do trabalhador. "Nossa verba anual é de R$ 38 milhões e a da CUT é de R$ 35 milhões. O dinheiro é repassado toda a vez que o pedido é liberado. Se recebemos a verba nos últimos dias é porque comprovamos que tivemos gasto com o trabalhador", justificou.Os recursos do governo têm origem no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que por sua vez é formado com uma parcela da arrecadação do PIS.Para o presidente da CUT, João Felício, é preciso verificar se as transações foram realmente feitas e em que condições. "Se isso ocorreu, podemos dizer que são métodos pouco recomendáveis", afirma Felício.O projeto que prevê a mudança da CLT foi aprovado ontem na Câmara com 264 votos a favor, 213 contra e duas abstenções. A proposta será encaminhada agora ao Senado, que deverá dar início à votação apenas em março ou abril do próximo ano.

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