Para filho de vítima, libertação de Battisti foi 'soco no estômago'

Alberto Torregiani, que ficou paraplégico por conta de um ataque atribuído ao ex-grupo de Cesare Battisti, classificou a decisão do STF como um 'insulto'

Ansa

09 de junho de 2011 | 11h53

MILÃO - Alberto Torregiani, filho de uma das vítimas cuja morte é atribuída ao grupo a que pertencia o italiano Cesare Battisti, declarou nesta sexta-feira, 9, que a libertação do ex-ativista foi para ele "um soco no estômago", apesar de já esperar por esse resultado. Por 6 a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal determinou a soltura do ex-ativista que estava preso em Brasília.

 

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"Saber que [Cesare] Battisti foi libertado é, para mim, um soco no estômago. É verdade que eu já esperava [por essa decisão], mas uma coisa é imaginar e outra é ver com os próprios olhos", declarou Torregiani, filho do joalheiro Pierluigi, que morreu em 1979 durante um tiroteio contra membros do grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), que Battisti integrava.

 

O italiano declarou diversas vezes antes da decisão final do STF que estaria disposto a vir para o Brasil para defender a extradição de Battisti. Ele tinha 15 anos na época do ataque e estava na joalheria no momento da troca de tiros, quando foi baleado e ficou paraplégico.

 

Torregiani afirmou que a decisão da Justiça brasileira em não extraditar Battisti, que na Itália foi condenado à prisão perpétua, é mais do que uma simples razão para ficar revoltado, "é uma escolha que significa que um criminoso pode fazer tudo que ele quiser". "É uma violação à Carta de Direitos Humanos", completou. "A atitude dessa pseudojustiça é um insulto a quem realiza verdadeiramente esse trabalho", disse o filho da vítima.

 

Ele ainda declarou que "a decisão destes seis [juízes que votaram contra a extradição] já estava certa antes do Natal. Ontem eles se reuniram só para bater papo. As suas orientações eram aquelas e permaneceram sendo aquelas e suas motivações são absurdas".

 

Para Torregiani, são duas as possibilidades para reagir à determinação: o primeiro, institucional, é recorrer à Corte Internacional de Justiça, em Haia. O outro, segundo ele, "é um caminho já pensado no passado" em caso da decisão pela extradição: "Os Estados [italianos] poderiam colocar em cheque possíveis novos acordos comercias, turísticos, culturais, entre outros, com o Brasil".

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