Para FHC, projeto de reforma política é um ´desastre´

Ex-presidente diz que lista fechada e financiamento de campanha público podem abrir porta para corrupção

Agencia Estado

25 de junho de 2007 | 15h54

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) considerou nesta sexta-feira, 22, a forma como a reforma política vem sendo discutida na Câmara dos Deputados um ´´desastre´´. Durante seminário do PSDB, afirmou que as propostas em discussão, como a lista fechada ou flexibilizada, a defesa de um sistema misto de financiamento de campanha (público e privado) e o fim do voto proporcional, entre outras idéias, podem abrir uma porta enorme para a corrupção. "O PSDB precisa ter uma posição firme com relação à reforma política porque se não vai ser um desastre, uma lambança", disse ele, em discurso realizado nesta manhã, em evento promovido pela juventude tucana, na Capital.FHC disse que a reforma política é um dos principais mecanismos, neste momento, para colocar um fim à corrupção que impera no meio político. "A posição do PSDB deveria ser clara, favorável ao voto distrital", disse ele à platéia, formada basicamente por jovens militantes da legenda. Sem citar o nome do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas por lobista de empreiteira e sob questionamento da origem de seus rendimentos, FHC disse que o fato é "gravíssimo" e reiterou que a reforma eleitoral deveria ser cobrada com mais ênfase.Ainda sobre reforma política, o ex-presidente tucano elogiou a proposta que vem sendo defendida pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "A sugestão do Serra é boa", emendou. O governador paulista é favorável à aprovação de um modelo de voto distrital e defende que a experiência seja colocada em prática já nas eleições do ano que vem, na Câmara de Vereadores.A proposta de reforma política está prevista para entrar em pauta, na Câmara dos Deputados, na terça ou quarta-feira da semana que vem. O deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), que também esteve presente no evento de hoje da juventude tucana, disse que a legenda "quase sucumbiu às armações do PT, DEM e PMDB, entre outros, de imposição de uma lista fechada. "Seria a pá de cal na política brasileira, seríamos responsáveis pela falência de um sistema que iria sepultar as vocações políticas", destacou. FHC também comentou a alternativa ao ponto mais polêmico da reforma, a lista fechada. "Inventaram agora, uma lista flexível. Mas graças à posição do PSDB, a discussão não foi fechada e apesar de não termos a vitória garantida, vamos continuar defendendo nossa posição na semana que vem, que é a de resistir a qualquer tipo de lista porque defendemos o voto distrital misto." VotaçãoO presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou nesta sexta-feira, 22, que o parecer do relator do projeto de reforma política, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), vai ser votado na próxima semana em Brasília (DF). "O projeto com o parecer do deputado Caiado vai a pauta na semana que vem e deve ser votado na próxima terça-feira ou quarta-feira", disse Chinaglia, durante visita a cidade de Araraquara (SP). "Todas as votações serão nominais e cabem aos partidos a apresentação de emendas", completou.Na última quinta-feira, líderes do PMDB, PT, DEM (ex-PFL), PSB, PPS e PCdoB chegaram a um acordo que pode permitir a aprovação da chamada "lista flexível" nas eleições para deputados e vereadores, ponto mais polêmico da reforma política em votação na Câmara. Foram apresentadas 346 emendas propondo alterações na proposta inicial.

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