Para FHC, Paulo Renato o símbolo da educação do Brasil

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje em Capão Bonito, a 225 quilômetros de São Paulo, que o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, pré-candidato a presidente. é o símbolo da educação no País. "Nessa matéria de educação, o Paulo Renato é símbolo do Brasil", discursou o presidente, ao entregar os primeiros cartões do programa bolsa-escola, para uma platéia 600 pessoas.O ministro, que estava sentado ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), agradeceu os aplausos do público. O presidente citou várias vezes o nome do ministro, uma delas, numa referência à fala do ministro, que o antecedeu ao microfone. "Como disse o Paulo Renato, essa bolsa é para os pobres."PobrezaAlckmin também foi citado no discurso e ficou sério quando Fernando Henrique lembrou que em São Paulo também havia pobreza. "Uma prova disso é que estamos aqui." Para o ex-prefeito de Capão Bonito José Carlos Tallarico Júnior, "o presidente encheu mais a bola do Paulo Renato".O presidente fez um discurso político, afirmando que o governo está resgatando uma dívida social do País. "Com o programa bolsa-escola, estamos propiciando um aumento real médio de 15% na renda de 6 milhões de famílias brasileiras." Ele disse que está empenhado num mutirão social e espera contar com a compreensão da sociedade brasileira, a exemplo do que ocorreu na crise energética. "O País deu uma demonstração de que é generoso e solidário." Sem cacarejo e tímidoNuma referência à oposição, Fernando Henrique disse que não se importa com as críticas de quem acha que o governo nada está fazendo para resolver as questões do Brasil. "O governo federal é discreto, não cacareja e não canta vitória antes do tempo", afirmou. Em seguida, o presidente se disse "tímido". "Somos gente da classe média, que, às vezes, tem até um certo pudor de dizer que faz, mas nós fazemos e não ficamos por aí, anunciando aos quatro ventos." O presidente alertou que essas realizações não devem ter sua paternidade disputada. "Nós somos todos servidores do povo e o que interessa é o resultado", disse. Fernando Henrique afirmou que Constituição prevê a educação para todos, mas isso nunca foi cumprido. "Estamos dando agora educação para todos, não na retórica, mas de fato." Má distribuição de rendaSegundo ele, o governo está preparado para ouvir críticas ao programa. "Não vai faltar gente, que não tem noção das dificuldades do País, que vai dizer que o dinheiro é pouco. É porque o Brasil ainda tem muito má distribuição de renda e tem gente que ainda ganha muito pouco, infelizmente." Fernando Henrique recordou falecido senador Teotônio Vilella, que pregava o resgate da dívida social. "Há outros que ainda hoje usam essas palavras, mas com grande irresponsabilidade. Nós estamos começando a pagar a dívida social", garantiu. Para ele, pagar a dívida social é colocar a criança na escola e dar recursos aos seus pais. "É distribuir mais de 100 milhões de livros nas escolas e transformar a merenda escolar num instrumento efetivo de instrução, distribuindo 35 milhões de refeições todos os dias."Seca e responsabilidade socialO presidente lembrou que, antes do seu governo, a merenda era comprada em Brasília e havia corrupção. "O alimento chegava podre na escola. Hoje, é tudo descentralizado e tem o controle social." Ele disse que o resgate da dívida social implica ter responsabilidade social "como eu tenho". Ter sensibilidade social, acrescentou, não é fazer discurso. "É criar condições para que seja possível, ao invés de alimentarmos a indústria da seca no Nordeste, atender permanentemente as populações carentes, e não só na eventualidade da seca, para explorar politicamente o voto daqueles que estão morrendo de fome ou de sede." Cartão únicoEle disse que seu governo está empenhado para que todos os programas do governo federal, nas áreas de saúde, previdência e educação, sejam sintetizados num único cartão. "Assim o cidadão não terá de passar pelo intermédio de ninguém para receber o que lhe é devido nesse grande pagamento da dívida social brasileira que começamos a fazer." O presidente disse esperar que o seu sucessor seja ligado a ele, para continuar o que chamou de mudança de cabeça e de mentalidade. "Fizemos a estabilidade da moeda, em que muitos não acreditavam, e retomamos o crescimento econômico que, apesar da má sorte, vai continuar ocorrendo." Ele disse que o povo brasileiro sabe separar a ação demagógica da verdadeira. "O povo hoje está sintonizado com o mundo e não aceita mais a indignidade de não poder ter uma criança na escola."

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