Para FHC, mensalão põe governo no banco dos réus

Ex-presidente faz as mais duras críticas contra Lula e o PT desde que veio à tona escândalo que gerou processo do STF

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem que o processo criminal contra os 40 do mensalão coloca o governo Lula no banco dos réus. "Tem personalidades importantes do governo dele (Lula) e, mais grave ainda, dois ex-presidentes do PT. Não é uma coisa banal."Foi a mais severa manifestação de FHC contra seu sucessor e o PT desde que o esquema mensalão foi denunciado. Em São Paulo, onde participou do debate "A reforma política que interessa", promovido pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Fernando Henrique destacou o fato de o Supremo Tribunal Federal aceitar acusação por formação de quadrilha contra aliados de Lula."O procurador (Antonio Fernando de Souza) denunciou, e o tribunal aceitou, uma organização criminosa", declarou FHC. "A organização estava incrustada no governo e usou dinheiro público, não só privado, são coisas muito graves. Não adianta o presidente fazer de conta que não é com ele, é com ele sim." "Como diz o tribunal não é uma pessoa, é uma organização, centrada nos dirigentes do partido e alguns deles ao lado do presidente da República", assinalou o ex-presidente. Para ele, "é dose" o fato de três ex-ministros de Lula terem sido incluídos no processo do mensalão - Anderson Adauto, dos Transportes, Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo, e José Dirceu, da Casa Civil. "Não é que respinga (em Lula), é diretamente. Esse é o núcleo do governo, até muito recentemente. E continua sendo gente muito influente no partido. É dose, não é?"Ele disse que o mensalão "atrapalha a crença na democracia". Afirmou ter ficado "muito chocado" ao ouvir trecho do voto do ministro-relator, Joaquim Barbosa, durante o julgamento no Supremo. "Aquele episódio da compra do PL para apoiar a candidatura do presidente Lula é muito chocante. O presidente Lula estava na sala ao lado !"VESTALEle questiona Lula: "O presidente deve dizer: ?Olha, eu estou contra isso, acho que essa gente pelo menos é suspeita e eu não quero ter gente suspeita perto de mim?. Ele não pode dizer ?tem que esperar?. Esperar o quê? O dia de são nunca? Disse que só no final (do processo) vai poder ter uma opinião. Tenha paciência. Essa gente (os acusados do mensalão) estava e está muito comprometida. O presidente tem obrigação de dizer quem o traiu. Aí ele fica numa posição mais limpa perante a Nação. Senão fica só uma coisa nebulosa que dá a sensação de que ele está passando a mão na cabeça.""Não estou dizendo que ele (Lula) seja responsável", ressalvou FHC. "Mas enquanto não repudiar dá a sensação de que está conivente, ou pelo menos leniente. Ele tem que ser contra, tem que dizer ?esta gente não serve, embora tenham sido meus companheiros não servem?."O ex-presidente sugeriu mudanças no sistema político. "Tem que mudar esse sistema que permite tanta transgressão. É claro que um partido como o PT, que se apresentava como uma vestal, dificilmente alguém acreditará nele como vestal, não é? São pessoas que criaram um partido influente que, depois, quando chegou ao poder, ao invés de fazer o que dizia que ia fazer mergulhou, permitiu que se mergulhasse nesse tipo, como diz o tribunal, de organização."Disse que é difícil prever se o mensalão terá reflexos em 2010. "Independentemente de reflexos eleitorais, tem que ter reflexo no comportamento moral. O Brasil cansou de tanta transgressão. O presidente tem que reprovar. Ele não demitiu ninguém. Disse que o mensalão era folclore do Congresso. Tem que dizer agora que estava errado, que dirigentes do seu partido erraram, tem que dizer."

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