Para FHC, "hoje é fácil desafiar e ser arrogante"

A cerimônia de assinatura da medida provisória que regulamenta indenizações a anistiados, no Palácio do Planalto, foi transformada em ato de desagravo ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em função das críticas feitas ontem pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), em seu discurso de renúncia. Referindo-se à extensão da anistia, o presidente afirmou: "Hoje é fácil desafiar e ser arrogante. Mas antes não era assim", disse FHC, lembrando o regime totalitário.Ele falou de improviso e fez um apanhado da trajetória da família dele, lembrando que seu avô e seu pai foram exilados, a exemplo dele. Ao lembrar de seu período de exílio no Chile, Fernando Henrique reafirmou seu compromisso com a consolidação da democracia no Brasil.Ele fez elogios às Forças Armadas, observando que, uma vez passado o período do Regime Militar, as Forças Armadas se transformaram no que qualificou como "um dos pilares da democracia".Em discurso, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDAB-AM) fez um apelo às forças políticas para o que chamou de "um entendimento nacional" em torno de interesses do País. Ele fez uma defendeu o governo federal, rebatendo as críticas feitas por ACM e por setores da oposição, tentando reduzir o que Virgílio chamou de "avanços na era Fernando Henrique". "É preciso reconhecer que este governo não pode ser execrado. Não é possível imaginar que se enfrenta um governo democrático do mesmo jeito que enfrentamos a ditadura", afirmou. Segundo ele, o governo Fernando Henrique será julgado pelas urnas.Na cerimônia estiveram presentes, também, os ministros da Saúde, José Serra; do Planejamento, Martus Tavares; da Justiça, José Gregori, e da Secretaria Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. Também participaram o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e políticos de diversas legendas, inclusive de oposição.

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