Para facilitar aprovação da CPMF, Mantega vai ao Senado na 5ª

Este será o primeiro movimento do governo para iniciar as negociações em torno da prorrogação do tributo

CIDA FONTES, Agencia Estado

10 Outubro 2007 | 18h00

Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, estarão na manhã desta quinta-feira, 10, no Senado para uma visita ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Marco Maciel. Este será o primeiro movimento do governo para iniciar as negociações em torno da emenda que prorroga até 2007 a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).   Veja também:   Governo teme derrota na votação da CPMF no Senado Lula revoga outra MP e Câmara aprova CPMF  Entenda a cobrança da CPMF     A emenda, aprovada nesta madrugada na Câmara, chegou nesta tardeao Senado. A informação foi dada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).   Mantega acenou com a possibilidade de o governo ter que elevar a alíquota de outros tributos caso o Senado não aprove a tempo de entrar em vigor em 2008 a proposta de prorrogação da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. "Provavelmente, eu vou ter, até, que criar outros tributos para compensar a CPMF, o que não é bom", disse Mantega, ao chegar ao ministério.     Aprovada na terça-feira, em segundo turno na Câmara, a prorrogação da CPMF agora precisa passar no Senado - também em dois turnos -, onde o governo conta com margem muito estreita de votos. Pior: em conversas reservadas, ministros avaliam que o clima de conflagração no Senado, causado pela insistência do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), em permanecer no cargo poderá prejudicar a votação.   Pela contabilidade do Palácio do Planalto, o governo conta com 51 votos no Senado, apenas dois a mais do que o necessário para esticar a validade do chamado imposto do cheque até 2011.   Questionado sobre os tributos que poderiam ser criados, ele esclareceu que, na realidade, estava falando de elevação de alíquotas de tributos já existentes. Segundo o ministro, o governo tem como aumentar a alíquota de alguns impostos sem a necessidade de alteração em leis pelo Congresso Nacional. Mantega citou especificamente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o Imposto de Exportação. "Temos vários tributos que eu não gostaria de usar, porque são piores do que a CPMF", disse o ministro.   Ele afirmou que não há "Plano B" desenhado pelo governo para a eventualidade de não ser aprovada a tempo pelo Senado. "Não tem plano B. É aprova ou não aprova. Se não aprovar, o plano B será fazer cortes muito importantes, no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), dos recursos destinados aos Estados. Vamos ter que virar de ponta cabeça o Orçamento de 2008, com prejuízo para todos", afirmou Mantega.    

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