JF Diorio
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Para explicar medidas do ajuste fiscal, governo lança cartilha 'Ajustar para Avançar'

Com 14 páginas, documento tem perguntas e respostas sobre abono salarial, seguro-desemprego, seguro defeso, pensão por morte e auxílio doença

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 19h52

Atualizado às 22h02

Brasília - A presidente Dilma Rousseff vai reforçar sua comunicação para defender o ajuste fiscal. Além de preparar uma campanha publicitária na TV, o governo distribuiu ontem internamente uma cartilha intitulada “Ajustar para Avançar”. Com 14 páginas, a cartilha tem perguntas e respostas sobre abono salarial, seguro-desemprego, seguro defeso, pensão por morte e auxílio-doença, sob o título “Esclareça as suas Dúvidas”. 

Ao mesmo tempo em que pretende explicar as medidas amargas do ajuste, como as regras que endurecem benefícios trabalhistas e previdenciários, o governo também lançará uma campanha no rádio e na TV sobre programas sociais considerados “vitrines”, como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida. 

“Nós vamos esclarecer o que é o ajuste e levar ao público as informações sobre o que o governo está fazendo”, disse o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. O formato da propaganda ainda não está pronto, mas a ideia é que a força-tarefa pelo ajuste entre no ar ainda neste mês. 

A estratégia do Palácio do Planalto consiste em “unificar a narrativa” dos ministros para que todos expliquem que as medidas amargas são “necessárias”, a fim de pôr a economia nos trilhos e retomar o crescimento. 

Depois das manifestações deste domingo e com a queda da popularidade de Dilma, a ordem no Planalto é para que os ministros se comuniquem mais e defendam as ações do Executivo, na tentativa de mostrar que o governo não está paralisado. Em reunião a portas fechadas com assessores de imprensa dos ministérios, na tarde de ontem, Edinho Silva disse que, de agora em diante, será preciso “alinhar o discurso” e dar respostas à sociedade. 

Para Silva, o governo enfrenta “um massacre” nas redes sociais, mas vai reagir. “Nós vamos para cima”, garantiu. 

Na tentativa de explicar a necessidade de esclarecimentos convincentes por parte do governo, em defesa do ajuste fiscal, o ministro da Comunicação Social citou como exemplo o titular da Cultura, Juca Ferreira. 

“O Juca vai a um evento e alguém pergunta: Ô Juca, o governo está tirando os direitos trabalhistas? Ele tem de saber explicar. Nós todos precisamos dar respostas”, afirmou Silva, na reunião com assessores. 

Logo na introdução, a cartilha “Ajustar para Avançar” diz que “as modificações propostas corrigem algumas distorções existentes, eliminam algumas injustiças sociais e garantem a manutenção de benefícios sociais de toda a rede de seguridade social”. 

À pergunta “o governo está reduzindo os direitos trabalhistas?”, na página 6, a cartilha sustenta que a proposta enviada ao Congresso está apenas “adequando” os benefícios à nova realidade econômica e social do País. “Com o aumento do número de trabalhadores com registro em carteira e com a natural rotatividade de uma parcela do mercado, aumentou o número de trabalhadores com direito ao seguro-desemprego”, diz o texto. 

Em seguida aparece outra pergunta que costuma ser feita nas ruas: “O governo escolheu desproteger o trabalhador para fazer o ajuste fiscal?”. Em tom didático, a cartilha afirma que a estratégia adotada nos últimos anos para a manutenção do emprego e da proteção social, com desonerações fiscais, “atingiu o seu limite” e o Executivo precisou recompor suas finanças. 

“O governo está propondo uma estratégia de ajuste equilibrada e distribuída. Muito mais do que focar um ajuste fiscal, as medidas procuram corrigir distorções para a manutenção e a viabilização dos programas sociais”, destaca um trecho da cartilha. 

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