Para ex-presidente da Petrobrás, espionagem é 'abominável'

José Sergio Gabrielli defende que o governo brasileiro busque resposta 'enérgica' sobre denúncias de tentativa de monitoramento

atualizado às 12h24, Sabrina Valle - Agência Estado

09 de setembro de 2013 | 11h42

Rio - O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli afirmou nesta segunda-feira, 9, considerar "abominável" a tentativa da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) de espionar a companhia. Gabrielli defende uma resposta contundente pela via diplomática do Brasil.

"A simples tentativa de 'hackear' informações da Petrobras é abominável. Merece uma resposta enérgica por parte da diplomacia brasileira", disse ele, atual secretário de Planejamento da Bahia. Documentos secretos em poder do ex-consultor de inteligência americano Edward Snowden indicam que a rede privada de computadores da Petrobrás é monitorada, segundo reportagem do Fantástico, da TV Globo. Na semana passada, o programa havia informado que a presidente Dilma Rousseff também fora alvo de espionagem.

Gabrielli ressalva que o sistema de tecnologia da Petrobras "é muitíssimo bem protegido" e que a tentativa de invasão não significa que de fato tenha havido roubo de informações. Segundo ele, a empresa sofre milhares de tentativas de ataque cibernético. "As tentativas de ataque são frequentes, corriqueiras, são milhares. Mas o fato de tentarem invadir não significa que houve sucesso", disse.

O ex-presidente diz que informações econômicas e estratégicas da companhia podem ser motivo de espionagem, mas que tentar acertar o alvo de interesse não passa de especulação neste momento, sendo necessário apurar. O executivo lembra que, durante sua gestão, houve tentativa, por exemplo, de roubo de imagens submarinas, em área de produção offshore.

Enquanto ocupou o cargo de presidente da Petrobras, Gabrielli disse que a companhia dialogava com a embaixada americana. Acrescenta, inclusive, que esteve pessoalmente com o presidente Barack Obama durante sua gestão. Considerou normal a troca de informações da companhia com o governo americano - reforçando que julga "abominável" hackear informações sigilosas para espionagem.

Gabrielli lembra que comenta o caso como ex-presidente e cidadão, já que deixou a companhia há mais de um ano, em janeiro de 2012.

Procurada novamente, a Petrobrás informou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai comentar a denúncia.

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