Divulgação - 21.01.2013
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Para ex-ministro de Lula, oposição tem conduta 'golpista'

Luiz Dulci, atual diretor Instituto Lula, afirma que partidos da oposição só estão focados em apontar 'fracassos' e não apresentam programa alternativo

Atualizado em 24.09, Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2013 | 15h41

O ex-secretário geral da Presidência do governo Lula, Luiz Dulci, atacou nesta segunda-feira, 23, a linha adotada pelos partidos da oposição ao PT, que, segundo ele, apostam em uma conduta "golpista". Sem mencionar o episódio do mensalão, Dulci fez uma avaliação sobre as críticas feitas ao governo petista e afirmou que os opositores tendem a "judicializar" a política.

As declarações foram feitas durante entrevista ao site da Fundação Perseu Abramo, do PT, que não abordou a decisão recente do Supremo Tribunal Federal de dar direito a novo julgamento a parte dos condenados pelo mensalão. Ao entrevistador, Márcio Pochmann, presidente da fundação, o ex-ministro afirmou que a oposição não soube construir um discurso novo após a entrada do PT no governo federal. "A denúncia é necessária. A crítica é imprescindível na democracia. Mas o que entusiasma a população é um projeto alternativo, que eles não têm", diz. "É muito ruim quando a oposição não tem projeto alternativo porque tem sempre a tentação de apostar numa conduta meio golpista, de apostar na judicialização da política", complementou.

O ex-ministro usou como exemplo as críticas feitas à situação econômica do País e rebateu que o Brasil passe por um momento de crise. Comparou a inflação atual com os índices médios dos dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, superiores aos dos governos petistas, segundo ele. "É pura luta política dizer que existe uma crise econômica no País de hoje. (...) Se a oposição fizesse como nós tentamos fazer durante muitos anos, se fizesse crítica da condução da atual política tentando apresentar alternativa, mas não, fica tentando fazer prognóstico de fracasso", afirmou.

Sobre o PSDB, disse que a sigla ficou presa às ideias neoliberais e por isso teria dificuldades em apresentar uma proposta econômica "crível". "Eles não construíram alternativa e aí acabam trabalhando numa linha denuncista."

Exemplo de ex. Secretário-geral da Presidência da República durante os oito anos do governo Lula, Luiz Dulci rasgou elogios tanto ao mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como à conduta do petista como ex-presidente. "Lula está vivíssimo, ativíssimo. (...) A agenda dele [no instituto] é tão intensa de quando ele era presidente da República", disse.

O ex-ministro defendeu a importância da figura do "ex", na visão dele pouco valorizada no Brasil. Segundo ele, governantes podem contribuir para o País quando estão fora dos cargos sem que isso signifique uma interferência no governo e defendeu a conduta "mais proativa" do petista. "É um preconceito achar que quem está fora tem que se aposentar. Essa atitude do Lula vai contribuir até para mudar um pouco a percepção da sociedade brasileira sobre o papel dos ex-presidentes", disse.

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