Para evitar substituição, deputado anti-Temer viajará na semana da votação da denúncia na CCJ

Com ida de Expedito Netto (PSD-RO) a Singapura e Dubai em missão oficial, um dos cinco suplentes contrário à denúncia poderá votar em colegiado

Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2017 | 13h09

BRASÍLIA - Voto declarado a favor da aceitação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado Expedito Netto (PSD-RO) não participará da votação da peça acusatória na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na próxima semana. O parlamentar estará em missão oficial no exterior. No lugar dele, votará um dos cinco suplentes do partido, provavelmente um contrário à denúncia, segundo integrantes da cúpula do PSD.

Netto disse ao Estadão/Broadcast Político que viajará para Singapura e Dubai em missão oficial pela comissão que trata de projeto sobre regulamentação de moedas virtuais, do qual é relator na Casa. Ele afirmou que viajará na sexta-feira, 13, e só retornará no outro sábado, 21. É justamente nesse período que o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a segunda denúncia contra Temer deve ser votado na CCJ.

"Caso a votação seja na semana que vem, quem votará será um dos suplentes. De qualquer forma, se estivesse, daria meu voto pelo prosseguimento da denúncia", declarou Netto. Ele disse, porém, não saber qual dos suplentes do PSD na CCJ votará em seu lugar. Integrantes da cúpula do PSD afirmam, porém, que será um governista. "Vou ter a oportunidade de dar o meu voto em plenário", declarou Netto.

A missão oficial evitou que o líder do PSD, Marcos Montes (MG), tivesse de substituir Netto novamente na CCJ. Na primeira denúncia o deputado de Rondônia foi substituído na CCJ por Evandro Roman (PSD-PR), que votou pela rejeição da peça acusatória. Os outros quatro integrantes do PSD titulares na comissão também votaram a favor de Temer: Delegado Éder Mauro (PA), Domingos Neto (CE), Rogério Rosso (DF) e Thiago Peixoto (GO).

PR

Integrante do Centrão como o PSD, o PR trocou um de seus membros titulares na CCJ na semana passada para ajudar Temer a barrar a segunda denúncia contra ele e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil). A sigla substituiu Jorginho Mello (SC), que votou pelo prosseguimento da primeira denúncia, por Delegado Edson Moreira (MG), contrário ao prosseguimento da investigação contra o presidente.

Foi pelo menos a terceira movimentação de membros da CCJ desde que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia contra Temer e os dois ministros. Na semana retrasada, o PTB indicou Nelson Marquezelli (SP) como membro titular da comissão, em uma vaga que ainda não havia sido preenchida. O deputado votou pela rejeição da primeira denúncia. 

Já o PSDB trocou o deputado Jutahy Júnior (BA) por João Gualberto (BA) em uma das vagas titulares na CCJ. Ambos, porém, votaram a favor da primeira denúncia. De acordo com Jutahy, a troca foi necessária, pois ele também estará em missão oficial, só que para a Rússia, durante o período em que a votação da segunda denúncia pode acontecer na comissão.

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