Para evitar se desgastar, Sarney deu aval a tucanos

Presidente do Congresso avisou Planalto que não impediria oposição

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

O desfecho da sessão de ontem, no Senado, quando foi criada a CPI da Petrobrás, teve o aval explícito do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Mas se Sarney é o "pai" do fato consumado, a "mãe" é briga política entre PSDB e DEM, destravada com a decisão dos democratas de apoiar o ex-presidente para o comando do Senado, em fevereiro. A rusga na oposição cresceu com o debate interno sobre a criação da CPI da Petrobrás: o DEM, liderado pelo senador Agripino Maia (RN), é majoritariamente contra a instalação imediata da comissão, enquanto a maioria dos tucanos tem pressa de abrir a investigação. "A maioria da minha bancada tem posição mais cautelosa de ouvir o presidente da Petrobrás primeiro", explica Agripino.Não foi por acaso que Sarney deu sinal verde a seu primeiro-vice, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), para que assumisse a presidência da sessão e fizesse a leitura do requerimento da CPI. Como presidente, Sarney seria o único que poderia tirar o vice da cadeira e impedir a leitura. Consultado por telefone, ele não só garantiu a Perillo que não iria ao Senado, como acrescentou que o tucano tinha legitimidade para proceder a leitura. Mais que isso: contou que avisara ao Planalto, na véspera, que não se desgastaria em um duelo com a oposição para evitar a CPI.Acossada pela avalanche de denúncias de irregularidades e desmandos no Senado, a cúpula do PMDB culpa o PT e setores do Planalto pelos prejuízos à imagem do Congresso e do partido. Os peemedebistas entendem que só quem ganha com a crise é o "presidente Lula", que passa incólume pelos escândalos, e o poder econômico que, segundo eles, desfruta de milhões em isenção de impostos, diante do silêncio de um Legislativo fragilizado pela crise.Além disso, restam as sequelas da sucessão no Senado, tanto entre os governistas, como na oposição. O PMDB acusa os petistas de fazerem uma "campanha difamatória", aliando-se ao PSDB na tentativa de eleger Tião Viana (PT-AC). Os peemedebistas não gostam da boa relação de petistas com tucanos.A cúpula do PMDB diz que, em se tratando de uma empresa do porte da Petrobrás, o governo deveria ter assumido o comando da ofensiva para evitar o inquérito, em vez de deixar tudo nas mãos de Mercadante, que preferiu se articular com a oposição. Nos bastidores, peemedebistas não escondiam a satisfação de assistir, ontem, à derrota do petista. A aliança entre PMDB e DEM em favor de Sarney também minou a relação dos democratas com os tucanos. A parceria ficou exposta a desconfianças de todo tipo. Tucanos suspeitam que Agripino mantenha sua aliança com Sarney e o líder Renan Calheiros (PMDB-AL). Dizem que ele está "com um pé em cada canoa", por ter assinado a CPI e "poupado" sua maior aliada - a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) - de fazê-lo.Para um dirigente do DEM, no entanto, a desconfiança não passa de "inveja". Diz o dirigente que o tucanato não perdoa o fato de Agripino e o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), terem vencido a eleição com Sarney. Acusam setores do PSDB de atrapalhar a articulação do DEM para aproximar Sarney do presidenciável tucano José Serra.Também há divisão entre os tucanos. Diferentemente do presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), e do senador Tasso Jereissati (CE), os mais cautelosos, como Virgílio, temem a demora em encontrar um fato definitivo para que a CPI produza resultados.

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