Para EUA, Brasil deve trabalhar com Otan

Embaixador indica que brasileiros podem liderar acordo na região

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2007 | 04h00

Os EUA querem que o Brasil faça uma parceria com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ajude a convencer outros países da América do Sul a cooperarem com essa aliança. A sugestão foi feita ontem pelo embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, numa palestra na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. O embaixador falou da importância da ampliação da atuação da Otan para além das fronteiras dos EUA e da Europa por meio de alianças com outros países e citou a América do Sul como uma das regiões nas quais a organização teria interesse. "Considerando a experiência do Brasil em fornecer ajuda a outros países em questões de segurança, talvez ele possa abrir caminho na América do Sul para que outras nações com interesses semelhantes determinem como trabalhar com a Otan", afirmou Sobel. Segundo o embaixador, o Brasil poderia seguir o exemplo do Japão e da Austrália, que possuem uma estreita parceria com a Otan, ou entrar no Programa de Parcerias para a Paz, no qual os países assinam acordos pontuais com a organização. Ele não quis opinar sobre como seria esse acordo no caso do Brasil, mas no discurso lembrou as áreas de atuação da Otan hoje: resposta a desastres, combate ao terrorismo, intercâmbio científico e - de longe a mais destacada - ações militares dentro e fora da Europa. O ex-embaixador Sérgio Amaral, que abriu a palestra de Sobel, confirmou que uma parceria com a Otan, em última instância, poderia permitir que a organização - que interferiu no conflito dos Bálcãs e está à frente da missão no Afeganistão - atuasse em conflitos na América do Sul. Num momento em que os EUA estão preocupados com a influência do líder venezuelano Hugo Chávez na região, é difícil não pensar que o eixo antiamericano formado por Venezuela, Bolívia, Equador e Cuba não tenha sido uma das motivações da proposta. Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo Estado, a iniciativa também assinala um caminho para resolver o que hoje é um grande problema para os EUA: como lidar com a questão da segurança em outras regiões, num momento em que o Exército americano está tão desgastado pelas guerras no Oriente Médio. A resposta seriam alianças estratégicas da Otan com países que "têm os mesmos interesses". "Isso não é colocar em questão o papel da ONU", disse Sobel, explicando que os países atuariam com mandato das Nações Unidas. Ele defendeu ainda a retomada do diálogo sobre acordos de comércio no hemisfério - assunto que esfriou no Brasil depois que o governo Lula ajudou Chávez a enterrara Alca. Sobel citou o exemplo da integração dos EUA com o Canadá e o México e sugeriu um acordo similar com os países do sul: "Podemos e devemos ter políticas similares entre a América do Norte e a do Sul. Não se trata de ideologia. Trata-se de obter resultados."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.