Para enfrentar caso Waldomiro, governo amplia Bolsa-Família

Na primeira ação concreta da agenda positiva que o governo decidiu adotar após o aparecimento do caso Waldomiro Diniz, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, anunciou que o Bolsa-Família será ampliado. Até julho, mais 901 mil famílias (cerca de 4,5 milhões de pessoas) das grandes cidades e regiões metropolitanas serão incorporadas ao programa. Na prática, o governo já previa a ampliação do Bolsa-Família em 2004, mas resolveu antecipar a meta.O anúncio foi feito hoje, depois de uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros Patrus, José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci Filho (Fazenda) e Guido Mantega (Planejamento). Atualmente, o programa beneficia 3,6 milhões de famílias e, com a ampliação, seu custo mensal pulará de R$ 264 milhões para R$ 433 milhões por mês. Patrus negou que a iniciativa tenha o objetivo de beneficiar prefeituras do PT, responsáveis pelo cadastro das famílias carentes, neste ano de eleições municipais. Também rejeitou comentários de que a finalidade é abafar a crise depois do escândalo provocado pelo caso Waldomiro. "Não é bom para ninguém vincular a questão dos pobres a questões menores e eleitoreiras", afirmou o ministro. "Sou daqueles que acreditam que o pobre no Brasil exige muito respeito."Lançado em outubro do ano passado, o Bolsa-Família reúne quatro programas de transferências de renda - Bolsa-Escola, Cartão Alimentação (do Fome Zero), Bolsa Alimentação e Vale-Gás. As famílias recebem benefícios que vão de R$ 50 a R$ 95 por mês, mas o programa ainda está muito concentrado no interior, principalmente das regiões Norte e Nordeste. "Sabemos que 83% da população brasileira vive nas grandes cidades e, por isso, a determinação do presidente Lula é ampliar a concessão do Bolsa-Família para essas regiões", argumentou Patrus. O ministro disse ainda que, se tudo correr bem e não houver surpresas na economia, a intenção do presidente é ampliar o número de famílias atendidas até o fim deste ano em mais 2 milhões. Até 2006, último ano do mandato de Lula, a meta é beneficiar 11 milhões de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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