Para empresários, Alca agora é questão interna

O coordenador da Coalizão Empresarial Brasileira para a Alca e vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Osvaldo Douat, avalia que os resultados do encontro do fim de semana em Buenos Aires, que reuniu ministros dos 34 países que formarão a Alca, não podem ser vistos unicamente como uma vitória definitiva para o Brasil. "Não basta negociar bem a Alca, com bons fundamentos. Agora, a questão é interna", destacou.Na avaliação do empresário, nos próximos anos é preciso dar competência à indústria nacional com reforma tributária, eliminação de impostos em cascata, acesso a crédito externo, controle do déficit público e consolidação da estabilidade econômica e da moeda. "Houve claros avanços que levaram em conta a posição brasileira, mas o processo daqui para frente será muito difícil", destaca. Douat cita recente estudo da FGV sobre a competitividade brasileira para mostrar o grau de dificuldade para se negociar uma Alca equilibrada. "O trabalho mostra que, se entrarmos na Alca nas atuais condições, as exportações brasileiras para os Estados Unidos crescerão 10%, enquanto as importações aumentarão 30%?. Entre os pontos mais polêmicos para os negociadores no futuro próximo está justamente a necessidade de adequar os prazos de redução para diferentes setores da economia brasileira.Segundo o empresário, o Brasil propõe a adoção de quatro prazos diferentes (cinco, dez, quinze e vinte anos) para os quatro grupos nos quais foram divididos os setores da economia brasileira. A proposta norte-americana é de dez anos, para todos os setores. "Será preciso muita negociação para se chegar a um meio termo", diz. Em sua avaliação, os negociadores norte-americanos também reiteraram a oposição contra a eliminação de subsídios e barreiras não-tarifárias, como medidas antidumping, "mas, pelo menos, aceitaram fazer um levantamento desses procedimentos, o que demonstra o posicionamento da nova administração Bush. Ficou claro que esse será o termo prioritário da negociação nos próximos anos", ressalta o empresário. Douat destaca, também, que a reunião "limpou" das discussões a questão de prazo para implementação da Alca. "Esse prazo saiu da numerologia. Agora, o que se precisa discutir são as medidas de facilitação de negócios." Para o empresário, o Brasil saiu do encontro com uma força negociadora nova, sobretudo porque a definição de datas ficou mais de acordo com o que queria o Brasil. "Para o setor privado, ficou bastante claro que os empresários dos 34 países apoiam categoricamente a integração hemisférica", afirma Douat, que participou do VI Fórum Empresarial das Américas, evento paralelo ao encontro ministerial, também em Buenos Aires. Só da coalizão brasileira participaram do fórum representantes de 86 entidades empresariais. "Também pudemos comprovar que há forte sintonia entre os interesses do governo e dos empresários brasileiros", observa.

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