Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Eliseu Padilha, carta de Temer foi 'discussão da relação' com Dilma

'Eles têm uma relação de pessoas civilizadas e penso que isso não vai ter prejuízo', afirmou o ex-ministro da Aviação Civil que deixou o cargo nesta segunda

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 16h01

Porto Alegre - O ex-ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS) considerou a carta enviada pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), à presidente da República, Dilma Rousseff (PT), uma espécie de "DR" (discussão de relacionamento), e negou que o documento seja um indício de ruptura do PMDB com o governo.

"É uma discussão da relação. E aí, depois disso, por vezes se volta a uma relação mais próxima e por vezes se vai para mais distância", falou em entrevista à Rádio Gaúcha. Padilha oficializou sua saída da Secretaria da Aviação Civil nesta segunda-feira, 7. O político gaúcho afirmou que a relação da presidente e do vice sempre foi educada, mas nunca calorosa a ponto de os dois "tomarem vinho ou chope juntos", por exemplo.

"Eles têm uma relação de pessoas civilizadas e penso que isso não vai ter prejuízo", disse. Segundo Padilha, o fato de o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, ter ido na residência oficial de Temer nesta madrugada demonstra que não há rompimento com o governo, já que Adams estava lá representando a presidente Dilma.

O ex-ministro contou que esteve no Palácio do Jaburu até as 2h15 e, quando saiu, a conversa entre Temer e Adams continuava. "Esta questão (de rompimento) inexiste, e do ponto do vista institucional, ela não pode e não vai acontecer porque se trata do vice-presidente e da presidente da República. Portanto, é uma relação que tem que se manter", falou Padilha.

Ele admitiu, no entanto, que a "DR" de Dilma e Temer pode determinar o rumo de outros ministros peemedebistas. A carta enviada por Temer contém uma série de queixas sobre a relação com Dilma e termina com uma constatação: "Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção", diz o texto.

Padilha disse que conversou com Temer sobre esta afirmação. Segundo ele, o raciocínio do vice-presidente é de que dificilmente o que não foi conquistado em cinco anos de governo, em termos de relação entre as duas partes, será conquistado nos próximos três. O ex-ministro reconheceu que a carta é "muito expressiva" no que se refere às reclamações do PMDB.

Questionado sobre o processo de impeachment aberto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Padilha disse que o partido só deverá ter uma posição quando houver um relatório sobre o processo no Congresso. Ele afirmou que, junto com outros líderes, está "buscando a temperatura" do PMDB, para avaliar "o que o partido realmente quer", e que Temer será o "exteriorizador", aquele que vai verbalizar o sentimento da maioria do partido no momento adequado. "Ninguém espere do Michel um comportamento fora do que a lei estabelece. Portanto, quem falar em golpe, qualquer coisa que não esteja rigorosamente dentro do plano legal, não conte com o Michel", revelou.

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