Para 'Economist', Marina tem de provar que 'merece' ser presidente

Segundo publicação britânica, há pouca substância e muita conversa sonhadora sobre a 'nova política no discurso da ex-ministra

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

04 de setembro de 2014 | 16h37

Atualizada às 17h58

A revista britânica The Economist traz editorial com tom crítico à candidatura de Marina Silva à Presidência da República. No texto, a publicação defende que Marina tem de "fazer mais para provar que merece" o Palácio do Planalto. A revista diz que "há pouca substância e muita conversa sonhadora sobre a ''nova política" no discurso da ex-ministra.

Após a subida das intenções de voto da candidata do PSB, a The Economist dá amplo espaço à Marina Silva na edição impressa que chega às bancas neste fim de semana. Além de uma reportagem sobre o avanço da ex-ministra, a revista publica editorial em que critica a falta de substância do discurso da candidata que atualmente é a principal concorrente de Dilma Rousseff. "Marina Silva ainda tem de dizer mais sobre como exatamente uma pessoa relativamente estranha (outsider, em inglês) governaria o Brasil. No momento, há muito pouca substância e muita conversa sonhadora sobre ''nova política''", diz o editorial. "No final, os eleitores do Brasil têm de fazer uma escolha entre ficar entre a Rousseff sem brilho, o Aécio amigável aos negócios ou apostar na emocionante, mas obscura Marina Silva", diz o editorial.

Para a revista, Marina precisa superar "duas preocupações". "A primeira é a reputação de intransigência que tornaria difícil administrar o Brasil, onde o multipartidarismo é a norma", diz o texto, ao lembrar que a candidata deixou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva por oposição em relação a algumas políticas ambientais. "Sua fé pentecostal faz com que ela não seja liberal em algumas áreas", completa o texto, ao citar a questão dos direitos civis dos homossexuais.

A outra preocupação da The Economist é a experiência. "Dilma Rousseff já é presidente e Aécio Neves governou bem o Estado de Minas Gerais durante anos. Há pontos de interrogação sobre o fracasso de Marina Silva em registrar seu próprio partido político a tempo da campanha presidencial", cita o editorial. "Ela sabe pouco sobre economia." A revista reconhece, porém, que a experiência tem benefícios questionáveis. "Dilma era considerada uma gestora competente antes de assumir o cargo, mas sua interferência ajudou empurrar o Brasil para a recessão", diz o editorial. "Marina tem um mês para preencher essas lacunas."

'Mudança de tom'. João Paulo Capobianco, que coordenou a campanha de Marina Silva à presidência em 2010 pelo PV e agora é um dos principais articuladores da candidatura pelo PSB, rebateu as críticas. Primeiro, Capobianco questionou o tom da revista desta semana, dizendo que a edição anterior adotava um discurso elogioso, afirmando que o programa de governo de Marina era "amigável aos negócios". 

"Vejo como contraditório", afirmou Capobianco ao Broadcast Político. O título da publicação de uma semana atrás relatava que Marinha ganhava impulso na disputa ao Palácio do Planalto. "O documento de 250 páginas concebido principalmente em conjunto com Campos antes de sua morte está repleto de políticas sensatas" , destacava a revista britânica.

Capobianco disse considerar justas as "preocupações" da publicação com os rumos do País, mas disse que a campanha vem se esforçando para que as pessoas possam "ouvir Marina falar (sobre suas propostas) ao invés de ouvir falar sobre Marina". Segundo ele, quando as pessoas ouvem a candidata, não há reações negativas em relação a suas propostas. "Todos os momentos que discutimos com setores variados, recebemos um retorno positivo. As pessoas percebem que há um compromisso com a estabilidade e com a previsibilidade econômica", enfatizou.
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