Para Dulci, trabalho do Congresso deve ser valorizado

O secretário geral da Presidência, Luiz Dulci, afirmou que em um dia como hoje, em que a sociedade critica o reajuste salarial concedido pela Mesa Diretora aos parlamentares de quase 100% de aumento, o Congresso deve ser lembrado como uma importante instituição da democracia, por seus acertos e pelo conjunto de seu trabalho. Segundo ele, o Congresso é um reflexo da sociedade brasileira, "acerta muitas vezes" e deve ser louvado por isso. "O que não se pode fazer é jogar fora uma importante instituição da democracia para corrigir um eventual erro", declarou. "Num dia como hoje, eu acredito que os presos políticos da ditadura, os que não tiveram liberdade partidária, os que não puderam eleger seus representantes, os que hoje se beneficiam do Estatuto do Idoso, e de tudo que já foi aprovado pelo Parlamento e que beneficia a sociedade, devem pensar no todo e analisar os eventuais erros levando em conta o conjunto das decisões do Parlamento. Se não, corremos o risco de fazer o jogo da direita autoritária brasileira", acrescentou, durante o seminário "Reforma política e cidadania", promovido pela Fundação Perseu Abramo. Segundo Dulci, a sociedade tem o direito de julgar e criticar os parlamentares pela decisão, mas é preciso ter cuidado com setores da direita que fazem críticas não com o objetivo de aperfeiçoar o funcionamento das instituições, mas sim para acabar com a existência delas. "Às vezes, a melhor maneira de aperfeiçoar as instituições não é apenas fazendo críticas individuais, mas contribuindo com propostas para que elas sejam aperfeiçoadas", opinou. Dulci ressaltou que sua opinião estava relacionada ao contexto histórico da democracia no País e no mundo, e não especificamente à questão do reajuste. "Se eu quisesse fazer uma crítica específica ao Congresso, eu faria. Fica muito simpático para as pessoas fazer críticas. Ficam de bem com quem está perguntando, e nem sempre contribuem para que o processo avance". O secretário da Presidência admitiu ainda que a esquerda brasileira deveria se preocupar mais com a reforma política. De acordo com ele, se o funcionamento do Congresso pode ser aperfeiçoado, a mesma questão vale para o Executivo, o Judiciário e as demais instituições da sociedade. Questionado se achava correto que os parlamentares pudessem decidir seus salários, e se não era necessário encontrar outra solução para a questão, Dulci respondeu: "Como vocês sabem, não cabe ao Executivo tomar decisões pelo Parlamento. Em geral, cabe ao Parlamento tomar decisões que o Executivo vai cumprir".

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 15h17

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.