Para dirigente do PMDB do Rio, carta de Temer é 'incompreensível'

Jorge Picciani, que no ano passado apoiou Aécio, afirma que em 2014 vice usou "máquina do governo' para manter aliança com PT

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2015 | 12h21

Rio - O presidente do diretório fluminense do PMDB, Jorge Picciani, disse ser "incompreensível" a carta enviada nesta segunda-feira pelo vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff e criticou o tom e o teor do texto, cujo conteúdo veio a público na noite de segunda-feira. Antes, o dirigente do PMDB, que é pai do líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani, já havia criticado a postura de integrantes da legenda favoráveis ao impeachment da petista.

"Já vi de tudo na História do Brasil, mas nunca uma carta nesse nível. Essa carta é incompreensível", afirmou Jorge Picciani. "Fico surpreso em ver como alguém que se sentia figurativo por quatro anos brigou para manter a aliança com o PT na eleição de 2014 e continuar figurativo. Ele (Temer) lutou duramente para continuar vice. Usou a máquina do governo para manter a aliança."

 

Em 2014, Temer e Picciani estavam em posições invertidas. O vice-presidente defendia a permanência do PMDB no governo e a manutenção da chapa à reeleição presidencial naquele ano, enquanto o dirigente do Rio articulou a chapa Aezão, na qual pregou o voto em Aécio Neves (PSDB) para a Presidência e no governador Luiz Fernando Pezão. O grupo de Temer venceu a convenção do partido, em junho daquele ano, por 59,9% dos votos.

Questão de família. Apesar de ter liderado a dissidência em favor do tucano na eleição do ano passado, Picciani sustenta a tese de que a vitória de Dilma deve ser respeitada e que não há fundamento para o impeachment. O presidente do PMDB-RJ e seu filho são citados na carta de Temer a Dilma.

O vice-presidente reclamou que Dilma negociou com os Picciani o espaço do PMDB na reforma ministerial sem ouvi-lo. Jorge Picciani evitou falar em um possível movimento para destituir o filho da liderança da bancada na Câmara, capitaneado pelo grupo de deputados pró-impeachment. "Leonardo age em nome da maioria da bancada. O que nos move é a democracia. A minoria só vence a maioria em filme de Kung Fu", afirmou.

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