André Dusek/Estadão - 18.11.2014
André Dusek/Estadão - 18.11.2014

Para direção petista, ‘ambição eleitoral’ motiva desfiliação

Dirigentes dizem que ex-prefeita ‘renegou’ sua ‘própria história’ e ‘retribuiu com falta de ética’ a confiança da sigla

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 18h31

Atualizado às 22h25

São Paulo - As direções nacional, estadual e municipal do PT redigiram ontem uma carta em conjunto para responder às críticas feitas pela senadora Marta Suplicy no texto em que pediu sua desfiliação da legenda. 

“Apesar dos motivos enunciados, entendemos que as razões reais da saída se devem à ambição eleitoral da senadora e a um personalismo desmedido que não pôde mais ser satisfeito dentro de nossas fileira”, afirmaram Rui Falcão, presidente nacional do PT, Emídio Souza, presidente estadual e Paulo Fiorlilo, presidente do diretório paulistano. 

Segundo o trio, a ex-prefeita “renegou a própria história” e “retribuiu com falta de ética” a confiança que o PT lhe conferiu ao longo dos anos. “Ao renegar a própria história e desonrar o mandato, Marta Suplicy desrespeita a militância que sempre a apoiou e destila ódio por não ter sido indicada candidata à Prefeitura de São Paulo em 2012”, conclui a carta conjunta. 

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Divisão. O PT está dividido sobre a decisão de tentar na Justiça recuperar para o partido o cargo de Marta Suplicy no Senado. Se isso acontecer, quem assumiria o posto seria Paulo Frateschi, dirigente histórico da legenda. Formalmente a decisão caberá ao diretório estadual, presidido pelo ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, pois o mandato de senador é um cargo majoritário estadual. Emidio já se posicionou diversas vezes a favor de o PT tentar retomar o mandato de Marta. Ele argumenta que a senadora se recusou a dialogar com o partido sobre os motivos de sua insatisfação e, portanto, não tem argumentos para alegar perseguição ou diferenças ideológicas. 

Quando Marta deu os primeiros sinais de afastamento na entrevista ao Estado na qual dizia que ou “o PT muda ou acaba”, o presidente estadual da sigla foi encarregado de procurá-la para uma conversa. Marta nem sequer respondeu aos pedidos para um jantar.

A posição de Emídio é reforçada pela pressão da militância manifestada ao longo do dia por meio das redes sociais e por alguns integrantes da direção nacional do PT. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e responsável pelas redes sociais do partido, diz que há muita pressão entre as comunidades virtuais para que a legenda peça o mandato na justiça. “É direito do partido pedir o mandato e a militância quer isso”, afirma.

Por outro lado, dirigentes do partido consideram que a tentativa de requerer o mandato de Marta na Justiça seria um erro político. A avaliação é de que não existe a segurança de que a ação teria respaldo da Justiça pois ao contrário dos deputados, o cargo de senador é majoritário, pessoal. 

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