Para Dirceu, acordo com FMI alimenta ciclo vicioso da dívida

O candidato à reeleição para presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), disse hoje, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que o novo acordo do Brasil com o FMI é "grave". "A Argentina já mostrou que a ida ao FMI é como continuar tomando droga, ou seja, alimenta o ciclo vicioso de fazer mais dívida externa", comparou o petista."Eu preferiria que o País mudasse de rumo, que o governo fizesse uma renegociação ampla da dívida, que controlasse o câmbio e iniciasse uma política de substituição de importações, criando condições para o Brasil começar a exportar, com diminuição de juros; mas isso é pedir um governo porque esse não fará", disse Dirceu. "Esse governo é prisioneiro dessa dinâmica de subir os juros e cortar os gastos e investimentos." Para Dirceu, que está em campanha no interior paulista, o acordo com o FMI pressupõe uma política recessiva. "O País perde autonomia para fazer sua política monetária, fiscal e cambial e, se o governo tivesse tomado outro rumo, em 1997 ou 1999, não estaríamos nessa situação", acredita. Dirceu criticou a falta de investimento em energia e transporte, além da ausência de reforma tributária. "O Brasil não criou condições para não depender dos capitais externos e o governo de Fernando Henrique Cardoso não tem muita alternativa, o que, para o País, é muito ruim, ou seja estamos numa armadilha."Segundo ele, o caminho é mudar o modelo econômico e fazer política para o mercado interno, com distribuição de renda e incentivo à indústria. Para o deputado federal petista, existe um fragilidade fiscal no Brasil e uma crise complexa e ampla. Dirceu, que concorre ao quarto mandato no diretório nacional do partido, com cinco adversários, em eleição direta dos filiados que será realizada em 16 de setembro, visita amanhã mais quatro cidades na região de Ribeirão Preto: Franca, Araraquara, Bebedouro e Jaboticabal.Todos esses municípios são administrados pela legenda. Para ele, a eleição na sigla será importante para democratizar a tomada de decisão interna, politizar e nacionalizar o debate e unificar o a agremiação no pleito de 2002. A expectativa de Dirceu é que entre 300 mil e 250 mil filiados, de cerca de 900 mil, votem em setembro.O programa de governo do PT deverá ser discutido em dezembro e a prévia que definirá o candidato a presidente da República será em março, provavelmente, entre o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Eduardo Suplicy (SP)."A eleição nacional está muito indefinida e é cedo para lançar campanha a presidente, mas o PT é uma alternativa de governo para a sociedade", disse Dirceu. "O PT já tem a mesma votação que o Lula, e tem votação nas pequenas cidades, o que não ocorria antes; estamos mais organizados e temos propostas mais claras, mas uma transição depende de várias reformas políticas e econômicas e não de uma hora para outra", comentou Dirceu.Além de Dirceu, os outros candidatos a presidente nacional do partido são: o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont o deputado federal Tilden Santiago (MG), que está no terceiro mandato na Câmara dos Deputados, Júlio Quadros (RS), o vereador José Fortunati, de Porto Alegre, e Marcus Sokol, de São Paulo. O presidente do PT no Estado de São Paulo, Paulo Frateschi, disputa a reeleição e percorre o interior com Dirceu.

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