Para Dilma, só não se preocupa com gestão quem quer ser rainha

Presidente volta a mirar ex-colega de ministério e diz que é 'intrínseco' ao chefe do Executivo cuidar de andamento de projetos

RAFAEL MORAES MOURA , RICARDO DELLA COLETTA/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2014 | 02h02

Um dia depois de rebater pela primeira vez nesta campanha a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, a presidente Dilma Rousseff voltou ontem a mirar a ambientalista, afirmando que o cargo exige uma preocupação "intrínseca" com a gestão.

"Acho que para um presidente da República é intrínseco se preocupar com a gestão, porque, se não se preocupar com a gestão, esse presidente da República está querendo ser ou rei ou rainha da Inglaterra", disparou a petista, em mais uma das entrevistas coletivas que vêm sendo realizadas no Palácio do Planalto desde o início da cobertura da campanha presidencial no Jornal Nacional, da TV Globo.

Marina criticou no sábado a imagem de "gerente" pela qual Dilma ficou conhecida nas eleições de 2010. Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, essa característica não é fundamental para a Presidência.

No domingo, Dilma disse que o presidente da República "é um executor" e não "simplesmente um representante do poder, que anda pra baixo e pra cima só representando". Dilma atribuiu o comentário de Marina a quem "nunca teve experiência administrativa e, portanto, não sabe que é fundamental para um país com a complexidade do Brasil dar conta de tudo". Na coletiva de ontem, Dilma evitou comentar explicitamente a polarização com Marina na disputa, mas a fala foi interpretada como mais uma forma de se contrapor à candidata do PSB - o Planalto aguarda um crescimento nas intenções de voto de Marina nas próximas pesquisas.

Na entrevista, a presidente também voltou a defender uma reforma política que seja feita via consulta popular. Segundo ela, isso trará força para que o tema vingue. Ela disse ainda que a pauta não é específica de nenhum dos três poderes da República.

Dilma relatou um encontro que manteve com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, no qual o tema foi discutido. A presidente disse que foi informada de que a CNBB vai promover, no feriado de 7 de Setembro, um grande esforço para recolhimento de assinaturas para a realização de um plebiscito sobre a reforma política. "Do ponto de vista do governo, apoiamos essas iniciativas que busquem uma reforma política que torne as instituições do tamanho do Brasil."

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