Para Dilma, governo Temer quer implementar o parlamentarismo

Em evento na Universidade do ABC, em São Bernardo do Campo, presidente afastada diz que 'está ficando chato' o argumento do processo de seu afastamento de que ela 'pedalou' e cometeu crime de reesponsabilidade

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2016 | 14h04

A presidente afastada Dilma Rousseff disse na tarde desta segunda-feira, 18, que o governo interino de Michel Temer pretende implementar o parlamentarismo no País. "Por trás desse golpe, tem uma ambição muito forte pelo parlamentarismo. No Brasil, todas as transformações ocorreram pelo voto majoritário para presidente. No voto proporcional, há uma imensa quantidade de filtros, oligarquias regionais, filtros de segmentos que fazem com que, na maioria das vezes, o Parlamento no Brasil seja mais conservador que o Executivo”, afirmou Dilma durante encontro na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

“É visível quando dizem que o golpe pode ser feito por discordâncias políticas. Ora, nós vivemos no regime presidencialista, o chefe de Estado e de governo é um só. A força advém dos 54 milhões de votos obtidos. No caso do primeiro-ministro, pode receber voto de desconfiança, mas pode dissolver o Parlamento e convocar eleições gerais. Eles querem o parlamentarismo”, acrescentou.

'Chato'. Dilma voltou a se defender das acusações de ter cometido crime de responsabilidade. “Isso já está ficando chato porque não só o Senado, como a comissão de perícia que a Comissão do Impeachment nomeou, diz que não há crime de responsabilidade. E na semana passada o Ministério Público Federal disse que não se caracteriza irregularidade em pedaladas. Se for, todos os presidentes anteriores a mim serão responsabilizados”, disse.

A presidente afastada reiterou suas críticas à proposta de emenda à Constituição que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU) até 2023.  "Se você congela o gasto pela inflação, quando entra mais gente em busca de educação e saúde, significa que você esta reduzindo o gasto per capita no Brasil. É uma diminuição per capita do gasto em educação no obrasil. O processo de retirada de recursos das educação é muito grave e pode afetar os programas.

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