Para Dilma e Tarso, PT saiu fortalecido das eleições

Seja qual for o resultado no segundo turno, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, acreditam que o PT sairá mais forte do que entrou nas eleições municipais deste ano. "O partido ganhou muitas cidades médias e grandes, que concentram a população do País", destacou Dilma ao chegar ao café da manhã da candidata à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário, na sede municipal do PT. Tarso, que também participou do evento, disse ainda que PT, PSDB e PMDB seriam os atuais "reis do tabuleiro". Lembrada pelos repórteres de que o PT poderia perder as prefeituras simbólicas de São Paulo e Porto Alegre - o que de fato se concretizou -, Dilma esquivou-se do assunto, alegando que não discutiria hipóteses. Preferiu considerar que todos os partidos da base aliada do governo Lula "avançaram e se consolidaram" neste ano.DE OLHO EM 2010Para Tarso, com o fortalecimento de PT, PSDB e PMDB nas eleições municipais, a disputa política rumo a 2010 sai modificada. O novo cenário conta com a presença de um partido forte de centro, o PMDB, o que exigirá, em sua visão, uma definição programática maior dos outros dois pólos deste cenário, o PT e PSDB. "Essa definição programática que estes dois pólos vão fazer é que vai trazer ou não o PMDB para um sistema de alianças em direção a 2010."Já Dilma, preferida de Lula para concorrer às próximas eleições presidenciais pelo PT, evitou fazer projeções sobre o assunto. "Na eleição deste ano não está colocada nenhuma consideração a respeito de 2010", ressaltou. "É uma eleição que tem valor em si porque os municípios por si só são muito importantes para a melhoria da governabilidade e é nos municípios que os programas sociais e de infra-estrutura se realizam".Evitando abordar sua possível candidatura, a ministra também desconversou ao responder sobre a possibilidade de ter adquirido gosto pelo palanque, já que nunca disputou um cargo eletivo e participou ativamente da campanha deste ano."Achei interessante a campanha, ela permite conhecer manifestações diferentes em cada Estado de um País que é muito rico", comentou, referindo-se aos diferentes ritmos musicais regionais que embalaram a disputa Brasil afora.ALIANÇASTarso defendeu a adoção de alianças verticais entre partidos para as eleições nacionais e regionais. Segundo ele, o governo preparou projetos da reforma política, preliminarmente apresentados ao Parlamento. Até o final de novembro, passarão por consultas para ganhar versão final. Em sua avaliação, a reforma deverá inverter a lógica que predominou nas últimas eleições nas composições partidárias. "As regiões desenham suas alianças sem prestar atenção na centralidade da nação", disse. "A reforma política tem que inverter esse processo." Para o ministro, o PT deve trabalhar na atração de um pólo de partidos de esquerda, como PC do B, PSB e PDT, e se dirija rumo ao centro com um "programa progressista", em busca de partidos como o PMDB.

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