Para Dilma, é 'estarrecedor alguém de fora da Petrobrás formular perguntas' à estatal

Presidente nega envolvimento de assessores em suposta combinação de perguntas; em nota, Secretaria de Relações Institucionais afirma que houve encontros para discutir atuação da base aliada

TÂNIA MONTEIRO, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 18h18

Atualizado às 18h38

Brasília - A presidente Dilma Rousseff negou nesta quarta-feira, 6, envolvimento do Palácio do Planalto na suposta combinação de perguntas e respostas feitas na CPI da Petrobrás à cúpula da estatal. Dilma disse achar "estarrecedor" ser necessário que pessoas não ligadas à petroleira elaborem questões para a Petrobrás.

"Me informe quem elabora as perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também", disse a presidente ao ser questionada sobre o assunto. "Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobrás formular perguntas para ela."

Reportagem publicada nesta quarta pela Folha de S.Paulo diz que um assessor da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República teria coordenado a atuação da estatal e da liderança do PT no Senado durante os trabalhos da CPI, instalada para investigar suspeita de irregularidades da estatal. A presidente disse ainda que o Executivo não é "expert" em petróleo e gás, e sim a Petrobrás. As declarações foram feitas no início desta tarde, após participar da sabatina promovida pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

No início da noite, o secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Azevedo, divulgou nota em que afirma ter participado de discussões com parlamentares para elaborar qual seria a estratégia dos trabalhos dos senadores aliados na CPI. "Por se tratar de uma ação investigativa do parlamento envolvendo uma empresa estatal, evidentemente a articulação política do governo não deve se omitir de participar dos debates com parlamentares, inclusive para a formação do roteiro e da estratégia dos trabalhos", disse.

Luiz Azevedo justificou seu procedimento sob o argumento de a atividade ser condizente com suas atividade. "Enquanto funcionário da Secretaria de Relações Institucionais, possuo duas atribuições fundamentais no tocante à CPI da Petrobrás - relação com a estatal, para que a mesma atenda de forma organizada as demandas da Comissão com transparência e eficiência; e com os parlamentares da base e da liderança do governo", declarou. "Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos, dados e fatos sejam prestados pela empresa, visando assegurar a qualidade das informações, evitando, dessa forma, o uso político eleitoral da CPI", afirmou Azevedo, justificando a atuação da Secretaria.

Luiz Azevedo fez questão ainda de criticar a postura da oposição de evitar a realização dos trabalhos da CPI. "Trabalhos esses que foram, desde o início, boicotados pela oposição, que agora se utiliza de oportunismo para explorar politicamente o factoide criado", prosseguiu ele, repetindo o discurso do governo que a oposição poderia estar presente à sessão da comissão e ter feito as perguntas quis quisesse, só que preferiu boicotar o trabalho dela. O secretário-executivo completa que "em nenhum momento nossa atuação feriu as atribuições e soberania do parlamento, que preserva suas prerrogativas com denodo e independência".

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