Para Dilma, declaração de Lula contra DEM está no contexto eleitoral

'Tem uma diferença substantiva de quando eles falaram em acabar com a nossa raça, em 2005, numa política de extermínio. Nós dissemos que vamos tirá-los pelo voto', disse a candidata

João Carlos de Faria/VARGINHA/MG, Especial para o 'Estado'

15 de setembro de 2010 | 16h04

A candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff, comentou nesta quarta-feira, 15, em Varginha, MG, a reação dos adversários às declarações de Lula durante comício em Joinville, na última segunda-feira, 13, de que o DEM deveria ser "extirpado" da política nacional. "Tem uma diferença substantiva de quando eles falaram em acabar com a nossa raça, em 2005, numa política de extermínio. Nós dissemos que vamos tirá-los pelo voto. Só tem um jeito: é a eleição, é disputar com eles o voto. Não vejo nenhuma manifestação estranha. Foi nesse contexto, das eleições, que o presidente falou. Tirar desse contexto é agir de má fé", disse Dilma. Ela chamou de "golpista" a declaração, do então senador Jorge Borhausen, porque "não estava no contexto eleitoral".

 

Dilma se recusou a comentar as denúncias em relação à ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, sua sucessora na Casa Civil. "Eu de fato não vou comentar mais isso. Já disse tudo o que tinha a dizer e não vou ficar sendo pautada por esse caso", declarou a candidata.

 

Sobre a "hegemonia do PT", Dilma disse que sempre que se toca na possibilidade de ela e o PT vencerem as eleições, se faz essa colocação. "Ganhar nas urnas, até onde eu sei, é legítimo, a não ser que a gente comece agora a 'deslegitimar' vitórias conquistadas nas urnas, democraticamente, por meio de um legítimo processo eleitoral", afirmou.

 

Festa

 

Mesmo com o pé machucado, Dilma entrou no ritmo do jingle do candidato a governador de Minas Gerais, Hélio Costa (PMDB), que juntamente com o candidato a vice, o petista Patrus Ananias, acompanhava a candidata durante comício realizado na quadra poliesportiva do Colégio Marista, onde foram recebidos por cerca de 1,5 militantes e políticos. Fernando Pimentel chegou atrasado e justificou dizendo que vinha de outra atividade de campanha.

 

No seu discurso, Dilma disse que vai ajudar os cafeicultores de Varginha e região a "resolverem seus problemas com o pagamento de dívidas e preços mínimos". Segundo ela, o setor precisa de mais atenção. "Aqui bate o coração do café no Brasil e se Minas Gerais se tornasse independente seria o maior produtor de café do mundo".

 

Ela prometeu também reforçar o ProUni na cidade - uma das recordistas de bolsas de estudo com 1.207 contemplados - e criar escolas que articulem o ensino médio com ensino profissionalizante, em cidades com mais de 50 mil habitantes.

 

"Votem no Hélio Costa para governador e no Patrus para vice-governador para que Varginha e o sul de Minas Gerais possam seguir o mesmo rumo e mudar com o Brasil", declarou entusiasmada, com a agitação da platéia, distribuindo autógrafos em bandeiras e adesivos.

 

O candidato a governador Hélio Costa prometeu fazer em Minas Gerais "o que Lula fez pelo Brasil e destacou os compromissos de reverter a situação do Hospital Regional de Varginha - que apesar de ser estadual, estaria sendo mantido pela prefeitura local - e de tratar os professores "com mais dignidade". Já o candidato ao senado, Patrus Ananias disse que é hora de multiplicar os votos. "Consolidada a vitória de Dilma é a hora da gente promover uma onda vermelha e também ganhar as eleições em Minas", afirmou.

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