Para Dilma, crise afetou popularidade de Lula

Em encontro do PT, ministra minimiza queda e afirma que governo vai reduzir mais os juros

Alessandra Saraiva e Daniele Carvalho, RIO, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, atribuiu à crise financeira mundial a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e minimizou os efeitos políticos desse recuo. "Nós não achamos que pesquisa, nem quando é positiva nem quando é negativa, deva ser pauta de governo", desconversou. "Não achamos problemático nem nos preocupamos mais do que devemos com isso. Até porque, sem sombra de dúvida, há uma avaliação bastante positiva do governo", emendou a ministra, que participou ontem, no Rio, de encontro promovido pelo grupo petista Mensagem ao Partido, criado em 2007, com o objetivo de devolver ao PT a credibilidade abalada depois do escândalo do mensalão.Recebida como presidenciável, sob aplausos e gritos de "Olê, olá, Dilma, Dilma", a ministra teve sua candidatura defendida pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário).Dilma adotou postura cautelosa em relação ao clima geral de lançamento informal de sua candidatura. "Não podemos controlar os militantes. Mas essa reunião não é para isso. A reunião é para discutir a crise", afirmou. "Essa questão da sucessão tem que ficar para 2010", completou. A ministra disse ainda não temer críticas da oposição em relação às manifestações de apoio que tem recebido. No evento, ela centrou seu discurso nos esforços do governo para vencer a crise e garantiu a continuidade da queda dos juros. "Temos hoje condições de reduzir os juros de forma significativa sem comprometer a estabilidade do País e nós vamos fazê-lo", declarou Dilma, antecipando-se a decisões do Banco Central.Citada por Tarso Genro "como o nome que pode dar continuidade aos projetos que vêm sendo desenvolvidos pelo PT desde 2003", Dilma, que no início do mês admitiu ver com "simpatia" a indicação de sua candidatura, comportou-se como presidenciável. Mas, preferiu não vincular uma futura campanha às pesquisas de popularidade do presidente Lula, preferindo ligar o assunto à crise econômica. "Vimos o resultado (das pesquisas) com muita naturalidade. Acho que as pesquisas sempre refletem essas variações. Não estamos preocupados com essa questão. A preocupação hoje é enfrentar a crise."Em uma bancada formada por deputados, prefeitos e líderes do PT, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, primeira mulher do PT a governar um Estado, defendeu que "agora é hora do partido colocar uma mulher também na presidência". PETROBRÁSAntes do início do evento, a ministra defendeu o posicionamento da Petrobrás de não reduzir o preço da gasolina. Perguntada se seria uma estratégia para recuperar perdas durante a alta do barril, ela retrucou: "Não há este posicionamento da Petrobrás. Nós mantivemos os preços quando chegou a US$ 150 o barril, não reajustamos. Não temos uma política de preços de acompanhar a volatilidade do mercado internacional."

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