Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Para Dilma, vazamentos de informações são 'premeditados' e 'oportunistas'

Em evento com mulheres, presidente disse que objetivo é criar ambiente propício ao golpe; ela afirmou que vazamento 'passou de todos os limites'

Rachel Gamarski, Isadora Peron e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2016 | 14h22

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff fez um duro e emocionado discurso nesta quinta-feira, 7. Em mais um ato contra o impeachment no Palácio do Planalto, ela afirmou que "passou de todos os limites" o que chamou de "vazamentos oportunistas e seletivos" do conteúdo das delações premiadas fechadas no âmbito da Operação Lava Jato.

Com a proximidade da votação do processo do impeachment na Câmara, Dilma afirmou que haverá muitos vazamentos nos próximos dias com o objetivo de atingi-la e afirmou que determinou ao ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que apure e puna os responsáveis pela divulgação dessas informações à imprensa. "Os vazamentos são premeditados e direcionados com o claro objetivo de criar um ambiente propício ao golpe", afirmou.

A declaração da presidente aconteceu durante um ato com mais de mil mulheres contrárias ao impeachment e transformou, mais uma vez, o Planalto em palanque para a defesa do seu mandato.

Nesta quinta, o jornal Folha de S.Paulo trouxe uma reportagem afirmando que o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo disse, em delação premiada, que a empreiteira realizou doações para as campanhas eleitorais de Dilma de 2010 e 2014 com recursos de propinas de obras superfaturadas da Petrobrás e do sistema elétrico. O PT nega as acusações.

Nos últimos dias, assessores presidenciais não escondiam a preocupação de que novas denúncias voltassem a atingir Dilma e prejudicassem o governo na votação do impeachment. Eles costumam chamar a Operação Lava Jato de "o imponderável", que sempre surge para prejudicar o governo.

Novas eleições. Durante o seu discurso, Dilma rechaçou, indiretamente, a proposta de convocar eleições gerais que tem sido discutida nos últimos dias e recebeu apoio inclusive do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para a presidente, assim como o impeachment, qualquer outro mecanismo para lhe tirar do cargo também é golpe.

"Submeter-me ao impeachment, ou exigir a minha renúncia, ou tentar quaisquer expedientes que comprometam o mandato que me foi conferido é um golpe de Estado. Um golpe dissimulado, com o pretexto da legalidade, mas um golpe", afirmou.

Para Dilma, essas ideias alternativas ao impeachment têm sido defendidas porque as pessoas sabem que ela não cometeu crime de responsabilidade e, por isso, não há base legal para o seu afastamento. "Muitos deles percebem, tem clareza da fragilidade de todo esse processo. Por isso, defendem que eu renuncie ou apresentam outras soluções, como se fossem um grande pacto pela governabilidade", disse.

Ela afirmou ainda que está disposta a fazer um pacto pela governabilidade, mas que "nenhum pacto prosperará se não tiver como premissa o respeito à legalidade e à democracia". "Tenta derrubar uma presidente eleita sem que tenha cometido crime de responsabilidade é um insulto a todos os eleitores. É um insulto aos 110 milhões de brasileiros que reconhecem a eleição direta como a maneira certa e direta", disse.

A presidente afirmou ainda que está em busca de "um entendimento nacional", mas que para isso é preciso que a oposição respeite o resultado das eleições, termine com as pautas-bomba no Congresso e ajude o País a realizar as reformas necessárias para colocar a economia em ordem.  

"Este é o pacto que eu busco, trabalhar para superar a crise, voltar a crescer, e agir para entregar ao meu sucessor um País muito melhor, no dia 1 de janeiro de 2019", disse.

Machismo. Dilma ficou bastante emocionada quando falou da sua indignação em relação à reportagem publicada pela revista Isto É no fim de semana. Ela afirmou que a matéria teve um caráter machista e comentou que pediu para a Advocacia-Geral da União processar a publicação por ter cometido crime contra a honra.

Na avaliação da presidente, a revista produziu peça de ficção para ofender "a mulher e a presidenta" e rebateu a tese da revista de que ela estaria "descontrolada". "Quero dizer que eu estive três anos presa ilegalmente, fui torturada, e sempre mantive o controle, o eixo e a esperança", disse.

A matéria da Isto É afirmou que, com o agravamento da crise envolvendo seu mandato, a presidente  tem apresentado "explosões nervosas", com uso de xingamentos, palavrões e que teria chegado até mesmo a quebrar móveis.

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