DIDA SAMPAIO | ESTADÃO
DIDA SAMPAIO | ESTADÃO

Para Dilma, impeachment 'não tem fundamento'

Presidente afirmou em evento de Saúde que vai defender seu mandato com todos instrumentos do estado democrático; plateia se dividiu aos gritos de 'fora Cunha', 'não vai ter golpe' e 'fora Dilma'

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2015 | 12h41

Atualizada às 13h23

BRASÍLIA - Recebida por uma plateia majoritariamente a seu favor, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 4, na 15ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília, que o processo de impeachment contra ela “não tem fundamento” e que ele é resultado de um movimento sistemático que tenta questionar o resultado legítimo das eleições. “Esse movimento atingiu seu ápice essa semana quando se propôs um pedido de impeachment”, disse. “Não tem fundamento o processo do meu impedimento, eu vou fazer a defesa de meu mandato com todos os instrumentos previstos em nosso estado democrático de direito.”

Essa foi a primeira participação de Dilma em um evento público após ver o pedido de impeachment aberto. Em discurso marcado pela defesa do seu mandato, a presidente destacou que foi legitimamente eleita e que não vai permitir que haja golpe. “Eu vou lutar contra esse pedido de impeachment porque nada fiz que justifique esse pedido e principalmente porque tenho compromisso com a população desse País que me elegeu.”

Segundo Dilma, o momento atual é importante e histórico para o País. “É um momento em que se torna necessário, obrigatório, reativar princípios, preservar direitos e reforçar a luta pela democracia”, disse, durante Conferência Nacional da saúde, em Brasília. “Para a saúde da democracia nós temos que defendê-la contra o golpe.”

A presidente afirmou que levará o seu mandato até 2018 disse ainda que conhece os custos humanos sociais e políticos da ditadura. Dilma disse que, desde o início do ano, enfrenta um processo político daqueles que querem o “quanto pior melhor” e destacou que seu mandato foi “legitimamente concedido pela maioria dos votos da população desse país”.

Dilma repetiu os argumentos de seu pronunciamento feito na quarta-feira, quando o processo foi aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e disse que as razões do pedido de impeachment são “inconsistentes e improcedentes”. “Não cometi nenhum ato ilícito. Não tenho conta na Suíça”, repetiu, em referência a Cunha, que está sendo investigado por ter contas ilegais no país europeu.

Dilma, que foi bastante aplaudida no evento, disse que o apoio recebido fazia “bem para a alma”, que vai lutar pelo seu mandato e repetiu que não fez nada que justifique o pedido de impeachment.  No auditório que em acontecia o evento, um grupo que ficou ao fundo do local e era contrário a presidente chegou a entrar em confronto com simpatizantes de Dilma. O discurso chegou a ser interrompido com a plateia pedindo “fora Cunha” e gritando “não vai ter golpe”. Mas apesar de a maior parte dos participantes demonstrar apoio à presidente, algumas pessoas chegaram a gritar “Fora Dilma” e “Fora PT”. Por conta das divergências algumas pessoas batiam boca e discutiam na plateia. 

O tumulto começou no fundo do auditório quando participantes do encontro que defendem o governo Dilma tentaram arrancar cartazes de outros colegas que são contra o governo petista. Vera Garrido, delegada do Amazonas, gritava contra delegados petistas que arrancaram o cartão do seu colega do Acre. "Eles estão tentando oprimir quem protesta contra eles. Tivemos de esconder os cartazes contra Dilma para entrar aqui porque a segurança estava tomando na chegada", desabafou Vera ao queixar do que chamou de "manobra" dos organizadores do evento que inverteram as pautas do encontro para deixar a aprovação das propostas para mais tarde, quando a conferência já estaria esvaziada, e muitos teriam viajado.

Luiz Paulo Jordão, delegado do Acre, foi um dos que portava cartaz e foi agredido por petistas. A delegada Marcia Tugone, de São Paulo, por sua vez, reclamou do protesto alegando que os contra a presidente estavam "atrapalhando quem queria ouvir a Dilma". Ela disse que todos estavam ali para defender o Sistema Único de Saúde (SUS) e que o confronto era "inadmissível". "Não podemos deixar que a violência impere", afirmou.

Dilma voltou a destacar a crise econômica mundial, disse que o governo teve que tomar medidas para a retomada do crescimento, mas que a resistência política no Congresso, com as chamadas pautas-bombas, tem atrapalhado esse processo. “A gente queria sair dessa situação no mais curto prazo possível, mas encontramos nesses caminhos muitas dificuldades, muitas resistências. Muitas vezes nos defrontamos com as chamadas pautas bombas, que ao invés de ajudar pais sair mais rápido da crise queria afundar o país”, afirmou. “Temos compromisso com o Brasil mais justo; vou lutar para fazer este país crescer”, completou.

A presidente estava acompanhada dos ministros da Saúde, Marcelo Castro, e da Casa Civil, Jaques Wagner, que foram vaiados ao serem anunciados. 

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma RousseffEduardo CunhaSuíça

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.