Para derrotar Marta, PSDB admite apoiar Kassab no segundo turno

Se confirmar vantagem e superar Geraldo Alckmin no domingo, prefeito de São Paulo terá o apoio dos tucanos

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

O PSDB nacional já decidiu: caso o eleitor paulista deixe o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, fora do segundo turno, como indicam as pesquisas, o partido fechará oficialmente - e rápido - com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição. A costura para apressar a união dos principais líderes tucanos no Estado já está em curso, independentemente do resultado da eleição no domingo.Nos bastidores do partido, tucanos de Norte a Sul entoam o discurso de que o PSDB será vitorioso, desde que a candidata Marta Suplicy (PT) seja derrotada. A ordem é não descaracterizar a vitória. Argumentam que, no pior cenário, com o tucano fora do segundo turno, ninguém poderá dizer que o PSDB perdeu se o vitorioso for Kassab, que tem a marca de "candidato do governador" José Serra (PSDB).É com esse discurso e a certeza de que manterão o comando da maior cidade do País que dirigentes tucanos se preparam para "tomar posse da vitória", caso Kassab consiga a reeleição. De olho no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso troca telefonemas com o ex-senador e conselheiro do DEM Jorge Bornhausen. Ambos se encontram semanalmente em São Paulo com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Quando o DEM se viu obrigado a reagir a ataques de tucanos a Kassab, Bornhausen sempre recomendou prudência, deixando protestos para o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). "Quanto mais ficarmos em silêncio, melhor." Em suas conversas com FHC e Guerra, Bornhausen sempre insiste na tese de que "agora é hora de a gente ficar calado e preservar as pontes para as negociações futuras". É esse trio que, ao lado de Serra, conduzirá todas as negociações. Cauteloso, Guerra tem afirmado que, independentemente do "caldeirão da crise paulista", a interlocução está preservada.Diante do confronto entre partidários do prefeito e de Alckmin, o presidente do PSDB procurou manter diálogo com as duas alas do partido representadas na Executiva nacional. A preocupação de preservar a interlocução com o DEM ficou clara quando o fogo amigo se intensificou, com as críticas do ex-ministro tucano e secretário da prefeitura, Clóvis Carvalho, a Alckmin. Guerra limitou-se a defender o candidato, "homem público correto, que todo o partido admira". Disse que acusações a Alckmin "não são apoiadas pelo PSDB, que tem nele seu candidato para vencer em São Paulo". Em momento algum fez reparos aos ataques de Kassab.A maior preocupação dos tucanos é administrar o próprio Alckmin, pois o temor geral é que sua eventual derrota acabe arranhando a imagem de Serra. Até os mais próximos aliados do governador apontam responsabilidade de Serra na crise por ele ter se omitido na condução do processo que resultou na candidatura de Alckmin.

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