Para deputados, invasão indica necessidade de dar 'resposta à sociedade'

Parlamentares lamentam protesto realizado na Câmara por manifestantes que se dizem pró-intervenção militar

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2016 | 17h03

BRASÍLIA - A invasão do plenário por manifestantes nesta tarde de quarta-feira, 16, repercutiu imediatamente na comissão da Câmara que discute propostas da reforma política. Ao serem informados do episódio, os deputados lamentaram que o Parlamento já não é mais respeitado e disseram que eles precisam dar "respostas" à sociedade, se reafirmando como figuras eleitas para legislar em nome da população.

O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) criticou a invasão, mas disse que os parlamentares precisavam fazer mea-culpa da falta de sintonia com a sociedade. "É algo extremamente preocupante o que assistimos hoje. Não respeitar a instituição Parlamento é tão grave quanto invadir o Judiciário", comentou. Em seu discurso, o tucano disse que o Congresso precisa agir para minorar as demandas sociais.

O presidente da comissão, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), se insurgiu contra "interferências externas" nas discussões da Casa e defendeu que os parlamentares precisam se afirmar, uma vez que foram eleitos para legislar. "Estamos vendo nos últimos momentos agora todo mundo dando conselho aos parlamentares de quando é o momento para que ele (deputado) possa discutir, votar, qual o tema deve ser abordado. Nós temos legitimidade para tal", declarou.

Vieira Lima insistiu que a Casa vem abrindo mão de suas prerrogativas, "vendo outros Poderes legislar em nosso lugar", o que seria fruto do vergonha dos parlamentares. "Não abro mão das minhas prerrogativas como deputado para examinar o tema que eu achar necessário, na hora em que eu achar conveniente. Democracia é isso", completou o deputado, sem citar nenhum exemplo específico.

Nesta semana, membros do Ministério Público Federal e da Polícia Federal fizeram sugestões de mudanças na redação do pacote anticorrupção e o relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS) retirou um dos itens incluídos no parecer. A alteração de última hora provocou críticas entre os deputados.

O deputado Edio Lopes (PR-RR) defendeu uma "revisão geral" e aproveitou para atacar a regra que diz que um juiz ou membro do Ministério Público que não produz ou atente contra a ética será apenas punido com aposentadoria. "Não podemos conviver com isso. Como não posso conviver com a Ordem dos Advogados do Brasil, que é primeira a apontar o dedo na ferida alheia, que não pune seus membros porque perdem prazo, porque participam de coisas que em outros segmentos, inclusive o nosso, seríamos sumariamente deletados do mundo político", disse. 

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