Para deputado petista, Lula no ministério é 'por contribuição ao governo, e não por proteção'

Paulo Teixeira critica condução de processos contra ex-presidente, mas nega que ele precise de foro privilegiado para evitar investigações

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 11h48

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), aliado próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evitou nesta sexta-feira, 11, defender abertamente que ele assuma um ministério no governo Dilma Rousseff. O parlamentar reforçou, no entanto, o discurso petista de que, se Lula assumir, será para "contribuir com os rumos do País", e não para se defender nos processos em que é investigado na Justiça Federal, em Curitiba, e no Ministério Público de São Paulo. "A ida ou não dele para o governo da presidenta Dilma Rousseff não diz respeito à proteção, diz respeito à contribuição que ele possa dar", afirmou.

Na quinta-feira, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva de Lula, depois de denunciá-lo por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, no litoral paulista. Lula nega a propriedade do apartamento, que foi reformado pela OAS. No dia 4, Lula já havia sido alvo da Operação Lava Jato e foi levado à força para depor pela Polícia Federal.

Teixeira reforçou que a proposta de ter Lula no governo não seria para obtenção de foro privilegiado - o que remeteria as investigações para o âmbito do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República. "Não defendo a ida dele por esta razão, é legítimo que ele vá para contribuir com os rumos do País", disse o deputado. "Ele na condição de ex-presidente da República que contribuiu muito para o País, pode contribuir no governo da presidenta Dilma Rousseff."

Para Teixeira, cuja formação é de advogado, "está havendo uma anomalia na condução desses processos" contra Lula. "Precisa ser revista a forma de condução (das investigações) não só no primeiro grau. A imunidade e o foro privilegiado deveriam valer para o ex-presidente", afirmou o deputado petista.

Teixeira repetiu que a investigação da Lava Jato e a denúncia do MP paulista contra Lula não têm base legal. Com relação ao tríplex do Guarujá, o deputado disse que, se a prática usada por Lula e sua mulher Marisa Letícia for criminalizada, muitas pessoas que compram imóveis no País passarão a incorrer em crime. "É uma prática legal e comum no mercado imobiliário", disse, sobre a compra de cotas e eventual desistência de se adquirir um imóvel - como alega a defesa de Lula.

Teixeira chegou pouco depois das 10 horas ao Instituto Lula, na capital paulista, onde o ex-presidente já se encontrava. Pouco depois chegaram os advogados de Lula, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, e o senador petista Lindbergh Farias (RJ). Mais cedo, chegou também ao instituto o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra.

Justiça. Cogitado como nome do PT para o Ministério da Justiça, Paulo Teixeira desconversou. "Isso não está em questão", afirmou. Teixeira destacou que Wellington César Lima e Silva não deixou o posto de ministro da Justiça e tem ainda algum tempo para decidir se vai pedir exoneração no Ministério Público da Bahia para permanecer no cargo do governo federal.

O Supremo Tribunal Federal decidiu na quarta-feira, 9, que o ministro não poderia ocupar o cargo na Esplanada enquanto se mantiver como servidor do Ministério Público da Bahia. O STF estabeleceu o prazo de 20 dias a partir da publicação da ata do julgamento para que ele tome uma decisão. "Temos ministro da Justiça e não cabe discutir o cargo ocupado por uma pessoa", afirmou o deputado.

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