Para Delfim, Dirceu é inocente

O deputado Delfim Netto (PP-SP) considera o caso Waldomiro Diniz como de polícia e não vê nenhuma responsabilidade do ministro-chefe da Casa Civil no epísódio. Entrevistado no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, ele disse que não vê nenhuma possibilidade de se ligar o ministro José Dirceu ao escândalo protagonizado por seu ex-auxiliar. "Você conhece os homens olhando para eles, para o seu comportamento na vida. A última coisa que você tem que olhar e vê-lo envolvido em bobagens como esta", disse. Para o deputado, é evidente que os partidos políticos se preocupam com suas finanças, e que os recursos para equilibrá-las são obtidos todos da mesma forma. Mas ele não acredita que a crise criada pelo chamado Waldogate venha a desestabilizar o governo petista.Sobre a CPI dos Bingos, Delfim Netto justificou a pretensão da oposição, lembrando que o PT especializou-se na questão quando do governo FHC. "Na minha opinião, esse processo de criação de crise parte do princípio de que a oposição sempre é a favor de CPI, e o governo é sempre contra. Por quê? Porque a CPI é um bicho complicado. Uma vez iniciada, e o PT era especialista nisso, eles faziam fila para participar de CPIs, não se sabe como termina. Eles (os petistas) eram especialistas em transformar a CPI em instrumento de conquista do poder. E tiveram sucesso. Agora, eles estão fazendo exatamente o que faziam o Fernando Henrique, o Sarney... Quer dizer, o Executivo sempre tem de impedir a CPI. Eu acho que essa crise vai se dissolver. O caso Waldomiro é um caso de polícia, e vai ser resolvido na polícia."O poder de DirceuO deputado do PP paulista tampouco acredita que o ministro José Dirceu perca sua influência no governo, em razão do escândalo. Para ele, o chefe da Casa tinha, e continua tendo, um papel um papel extremamente importante, que é o de acomodar as demandas petistas e dos partidos aliados. "É um papel dificílimo; aqui pode, aqui não pode; aqui eu acomodo, aqui não acomodo. E como isso precisava, e precisa, ter uma maioria estável, você tem que repartir o poder. Não adianta (pensar o contrário), porque você tem um sistema pluripartidário. Aquele PT que imaginava aquela sociedade sem classes, esse acabou. Sobrou uma meia dúzia deles que ainda faz discursos. O PT também está mudando, pode demorar um pouco mas eles também aprendem. O exercício do poder está ensinando para eles como administrar."Balanço do governoO ex-ministro da Fazenda não poupou estocadas à atual equipe econômica, atribuindo ao excesso de conservadorismo do Banco Central o encolhimento do PIB no ano passado. Para ele, a taxa Selic poderia ter sido reduzida a partir de maio e a decisão de aumentar o percentual do superávit primário também fez encolher os investimentos públicos. "O governo bateu muito a cabeça, as escolhas dos auxiliares foram muito prisioneiras da participação do partido. Quer dizer, você tinha de encontrar ´companheiro´ com competência para vários setores."Taxa de jurosSobre a próxima reunião do Copom, Delfim Netto disse que vê espaços para uma redução da taxa Selic, "só que eu não vejo o Banco Central com essa disposição". Neste sentido, ele criticou o conteúdo das últimas atas do Copom, que classificou de "extravagantes". "Lá tem uma frase que diz o seguinte: ´como já se baixou muito os juros, nós vamos ter de esperar para ver o que vai acontecer´. Quer dizer, se você precisa esperar para ver o que vai acontecer, é porque você não sabia o que ia acontecer. Na minha opinião, há um medo do crescimento que é assustador. A idéia de que você precisa acertar exatamente no 5,5% (a meta inflacionária fixada pelo BC). Quer dizer, 5,55% não serve."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.