Para defesa, prisão é ''ilegal e arbitrária''

Advogado de Dantas diz que documentos na Itália sobre Brasil Telecom ?comprometem personagens ligados ao governo?

Adriana Chiarini, Marcelo Godoy e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

09 de julho de 2008 | 00h00

Assim que foi informado da prisão do banqueiro Daniel Dantas, pela Polícia Federal, seu advogado, o criminalista Nélio Machado, atacou: "Sei que há documentos na Itália que deixam comprometidos personagens ligados ao governo brasileiro e esse episódio pode ter gerado uma vingança contra o meu cliente". O criminalista não deu nomes e deixou claro que não viu os documentos.Machado também tachou de "ilegal e arbitrária" a prisão de dezenas de pessoas pela Operação Satiagraha, sem prestar depoimento nem saber das acusações. "Não vi uma ação assim contra Genoino, Dirceu ou Roberto Jefferson", afirmou, referindo-se aos tempos do mensalão. Garantiu, ainda, que o banqueiro se defenderá "com todas as armas de que dispõe". Ressalvou não poder fazer "afirmação peremptória", por falta de provas, mas considera que a prisão de Dantas está ligada a disputas societárias na operadora Brasil Telecom (BrT). Durante entrevista coletiva, Machado mencionou várias vezes que a Telecom Itália - ex-sócia do Opportunity na BrT - enfrenta processo na Justiça de seu país, onde estariam os documentos "que deixam comprometidos personagens ligados ao governo brasileiro". O criminalista afirmou que desconhece qualquer vínculo de Dantas com o investidor Naji Nahas ou o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, também presos. Destacou, por fim, que o seu cliente não tem nenhuma ligação com o caso do mensalão.?INJUSTIFICADA?A defesa de Nahas afirmou que a prisão foi "absolutamente injustificada". "É pessoa conhecida, tem endereço conhecido e sempre esteve à disposição da Justiça. É medida extremamente violenta, constrangimento desnecessário, pois bastaria que a PF o intimasse para que se apresentasse e desse as declarações", afirmou o seu advogado, Sergio Rosenthal. Para o advogado, a ação da PF não "se coaduna com os princípios do Estado Democrático de Direito". Ele criticou a falta de acesso aos autos da investigação: "Não tomamos conhecimento, pois a Justiça informou que só nos dará acesso após a conclusão da operação."?SENSACIONALISTA?A advogada de Pitta, Paula Sion de Souza Naves, também fez questão de ressaltar que não teve acesso aos detalhes que levaram à Operação Satiagraha, mas classificou a prisão de seu cliente de "sensacionalista", por ter sido divulgada à imprensa antes de ser efetivada."Ela foi divulgada à imprensa logo pela manhã, antes de ele (Pitta) ser detido em sua casa, às 6 horas", reiterou. Paula informou que vai solicitar a liberação do ex-prefeito assim que ele prestar depoimento. "Isso demonstrará que está colaborando com as investigações e não há justificativa para permanecer detido."

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